O coração de Zenobia batia acelerado, temendo que sua expressão revelasse mais do que devia.
Ela fingiu naturalidade ao dar as costas e caminhar de volta à mesa, simulando procurar um documento no arquivo.
Pelo canto do olho, notou que Alípio havia se sentado novamente no sofá, sem a menor intenção de ir embora.
Desta vez, Zenobia não conseguia imaginar para quem ele acabara de ligar ou o que havia escutado para agir daquela maneira.
No entanto, sua maior preocupação naquele momento continuava sendo Ema Pacheco.
Enquanto folheava as pastas, seus pensamentos já estavam distantes.
Alípio permaneceu no sofá por apenas um breve instante antes de sair apressadamente pela porta.
Ao vê-lo sair, Zenobia aguardou alguns segundos e correu até a recepção para confirmar que ele realmente havia deixado o prédio.
Mais aliviada, ela retornou ao próprio escritório e rapidamente pegou seu celular reserva para ligar para Ema.
— Ema, você já chegou ao local? — Perguntou Zenobia com extrema ansiedade assim que a chamada foi atendida.
Ela estava apreensiva com a ligação recente de Alípio, questionando-se o que poderia tê-lo feito sorrir em um momento tão crítico.
Seria possível que ele tivesse usado sua imensa influência para descobrir o paradeiro de Ema?
Se isso fosse verdade, todo o esforço delas teria sido em vão.
— O que aconteceu? — Perguntou Ema com preocupação ao ouvir a voz da amiga pelo celular. — O Alípio foi atrás de você?
— Sim, mas ele apenas suspeita e não tem provas, além de já ter ido embora. — Respondeu Zenobia, recuperando o fôlego.
— Que alívio, pois tudo correu perfeitamente bem por aqui, então não precisa se preocupar. — Disse Ema, suspirando com tranquilidade.
— Ema... — Começou Zenobia.
Um estrondo vindo da porta de vidro interrompeu a fala dela.
E como, movido novamente por suposições, ele deduzira que ela ligaria para Ema imediatamente e decidira voltar de surpresa?
Soltar uma ameaça tão infantil para então ir embora logo em seguida era no mínimo bizarro.
Aquela última frase parecia ter saído da boca de uma criança birrenta de três anos de idade.
A rejeição da Ema devia ter mexido de verdade com o juízo daquele homem.
Zenobia até visualizou a manchete do jornal local: "O homem mais rico de Campo Belo do Sul enlouquece após ser rejeitado"
Perdida em seus próprios devaneios irônicos, ela quase soltou uma gargalhada.
Contudo, o medo a impediu de tentar contatar Ema novamente, pois aquele olhar cortante de Alípio parecia ter inspecionado cada centímetro da sala.
Existia até a chance de ele ter escutado o nome de Ema sendo pronunciado antes de entrar.

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