Sempre que havia visitas, era Isabel quem lhe trazia comida, ou então ela aproveitava a oportunidade para sair de casa.
Antigamente, Ema imaginava que ele se envergonhava de sua origem humilde diante daqueles herdeiros de famílias ricas.
Mas agora, com essa gravidez...
Ema já havia sofrido muito por causa dessas coisas no passado.
No entanto, agora ela não se sentia triste ou magoada com a atitude dele; pelo contrário, parecia que estava prestes a colocar sua máscara novamente.
Pelos relatos que conhecia sobre Alípio, ela sabia que aqueles rapazes ricos, amigos dele, não seriam fáceis de agradar.
Contudo, ela não tinha a menor intenção de ficar lá sorrindo falsamente e fingindo cortesia.
Ema respondeu sem qualquer oscilação emocional:
— Não precisa. Eu nunca gostei muito de agito. Pode deixar a Tânia participar, ela gosta.
Após dizer isso, Ema assentiu de leve e foi em direção à escada.
A voz de Alípio soou rapidamente atrás dela:
— O que foi? Não está satisfeita com essa identidade?
Ema respondeu com indiferença enquanto caminhava:
— Não é isso. Se você quiser me colocar como empregada, eu visto o uniforme e pronto...
Ema disse aquilo casualmente, mantendo uma atitude de obediência.
Mas Alípio retrucou:
— Com o seu corpo atual, as roupas de Isabel devem servir em você. Só não sei se o seu corpo vai aguentar. Eles adoram BBQ.
O que era aquilo agora? Ele realmente queria que ela trabalhasse como empregada?
BBQ é churrasco. Pra quê falar em inglês?
Ema não soube como responder, então encarou tudo como se ele estivesse fazendo uma piada.
Ema parou por um instante, mas logo retomou o passo em direção ao andar de cima.
Alípio disse de repente:
Ninguém desgosta de dinheiro, mas Ema preferia ganhar um dinheiro que lhe trouxesse paz de espírito.
Mesmo que fosse cansativo ou difícil, tudo bem, mas ela não estava disposta a ganhar dinheiro sofrendo humilhações.
Ou melhor, se ela e Alípio fossem um casal apaixonado, ela gastaria o dinheiro dele com a consciência tranquila e cheia de felicidade.
— Então está combinado para amanhã. Vou pedir para a empregada preparar as roupas e o avental para você.
Alípio olhou para Ema, e um traço de emoção complexa passou por seus olhos.
Ema assentiu levemente, lançou-lhe um olhar rápido e virou-se para subir as escadas.
Quinhentos mil... aquele número astronômico girava sem parar em sua mente.
Ela não conseguia decifrar qual era o objetivo de Alípio, mas servir um churrasco não parecia ser grande coisa.
Se ele continuasse sendo tão generoso assim, ela estaria disposta a trabalhar todos os dias.
O melhor seria quitar toda a dívida; assim, ela não precisaria se preocupar em prejudicar ninguém caso decidisse fugir.

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