Ela recuperou o fôlego e disse, inquieta:
— Zenobia, o Alípio me manteve em prisão domiciliar no Solar do Vale. Não tenho certeza se ele quer investigar a verdade ou se tem outros planos. Mas o problema agora é que, antes de eu ser presa, quebrei aquele equipamento que valia milhões. O Emílio Coelho deve ter contado a vocês, não é? O Alípio disse que, se eu fugir, ele entra na Justiça e me quebra — processo, indenização, bloqueio. Zenobia, o que eu faço?
Ema terminou de falar e esperou silenciosamente pela resposta de Zenobia.
O outro lado da linha ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Esse desgraçado tá te ameaçando por causa daquele dinheiro? Ele é capaz de tudo mesmo. Faça o seguinte: não entre em conflito direto com ele agora. Finja que quer ficar no Solar do Vale e, depois, use a desculpa de que quer fazer compras. Podemos nos encontrar no shopping?
Ema perguntou, apreensiva:
— E se ele não me deixar sair?
Zenobia respondeu prontamente:
— Diga que os seguranças podem ir junto, eu penso no resto. Não se estresse. Sobre o equipamento, você é funcionária do Estúdio de Sonho. Se algo aconteceu durante o trabalho, o Emílio vai cuidar disso. Além do mais, temos o Samuel. Vamos pensar numa solução juntos. Não podemos deixar que você fique presa a ele como se você fosse refém desse dinheiro. Aquele homem é um desgraçado, não vale nada...
A franca Zenobia começou a praguejar enquanto falava e, uma vez que começou, não conseguia parar, reclamando sem parar ao telefone.
Ema estava preocupada com o retorno repentino de Alípio e com a possibilidade de Tânia procurá-la e os empregados perceberem algo.
Seu coração estava disparado e, acima de tudo, ela temia envolver Zenobia.
Pensando nisso, Ema também foi franca:
— Você quer arriscar me tirar de lá diretamente? Mas para onde eu poderia fugir? São mais de cinco milhões de reais. Se o Alípio enlouquecer, ele vai mesmo me mandar para a cadeia. E quanto a vocês, ele realmente vai...
Na verdade, a maior preocupação de Ema era prejudicar Zenobia.
Quanto à dívida, ela não se importava. Se não tivesse dinheiro para pagar, mesmo que virasse um processo judicial, provavelmente não ficaria presa por muito tempo.
Além disso, ela estava grávida, então não seria encarcerada; no máximo, entraria para a lista de inadimplentes.
Isso seria muito melhor do que ficar ali, vivendo com medo.
Quem sabia se Alípio não teria outro surto de repente e a mandaria para o hospital?

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