Catarina manteve um sorriso no rosto, tentando aliviar o clima constrangedor.
Ela fingiu gentileza e disse:
— Chutei sem querer. Alan, na casa do seu cunhado Alípio, não fale tanto. Vamos, tem tanta coisa gostosa, coma logo.
Alan olhou para Catarina com cara feia e retrucou:
— Mas não foi o Alípio que me perguntou...
Vendo isso, Catarina não pensou duas vezes; pegou um talher e bateu na testa de Alan, dizendo com severidade:
— Coma logo a sua comida.
Ao lado, Ema ouvia e observava com o olhar tranquilo.
Na família Pacheco, Alan era considerado o que tinha menos malícia.
Falar sem pensar era sua característica principal.
No entanto, aquilo era apenas a ponta do iceberg do sofrimento de Ema.
Bastava lembrar do passado para que todas as feridas insuperáveis voltassem.
Enquanto Ema divagava, sua mão, que estava sobre a mesa, foi repentinamente segurada por Alípio.
Ele apertou com força e soltou logo em seguida.
Depois, Alípio encheu a tigela de Ema com comida.
— Coma, são as coisas que você gosta.
Ema lançou-lhe um olhar indiferente, considerando aquilo apenas mais uma encenação para os outros.
Ema fingiu gratidão com um sorriso leve e começou a comer em pequenos bocados.
Mas o olhar de Ema volta e meia passava por Tânia, que permanecia em silêncio.
A garota parecia realmente gostar de Alípio; toda vez que Ema olhava, os olhos de Tânia estavam nele.
Foi então que a voz de Alípio, subitamente fria, chegou aos ouvidos de Ema:
— Alan, a sua irmã Ema era a empregada na casa de vocês?
Ema ficou levemente atônita; não precisava exagerar na atuação, precisava?
Ema limpou o canto da boca, levantou a cabeça devagar para olhar Catarina e disse sem pressa:
— Se a mamãe acha que está certo, então com certeza está. Não foi fácil para vocês me criarem; sofrer um pouco não foi nada, considero apenas como o pagamento pela criação que me deram.
As palavras neutras de Ema, combinadas com seu olhar afiado, deixaram Catarina totalmente desconfortável.
Agora que tinha o apoio de Alípio, até o jeito de ela falar era sarcástico.
Catarina especulava em segredo.
Antes, ela achava que Ema estava agressiva por estar de mau humor com o divórcio.
Mas, aos poucos, percebeu que a personalidade de Ema havia mudado.
Antigamente, ela batia e xingava Ema.
Não importava quão severa fosse, Ema não ousava dizer nada ácido, muito menos reagir.
Aquela maldita garota tinha um gênio dócil, era fácil de controlar.
Por tantos anos, ela só tolerou Ema porque ela tinha um bom gênio e era fácil de manipular.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Acusada de Traição, Volto com Três Filhos