Ema puxou o vestido largo, tentando ao máximo esconder a barriga levemente saliente.
Catarina não fez escândalo ao vê-la, o que indicava que não havia notado sua gravidez.
Pelo visto, Alípio não havia informado a família sobre a gestação.
Ema pediu a Vitória que trouxesse alguns doces e frutas, e então, fingindo gentileza, segurou a mão de Tânia:
— Tânia, você se tornou uma mulher linda, tem altura e uma ótima formação. Eu vou te apresentar alguém do seu nível. Alguém à altura.
Tânia murmurou baixinho:
— Onde existe outro homem tão excelente quanto o Alípio?
Embora a voz de Tânia fosse extremamente baixa, Ema conseguiu escutar.
Ema bufou friamente em seu íntimo; aquele canalha só sabia fingir mesmo.
Afinal, ela também já foi como Tânia, achando que ninguém se comparava a ele.
Por um momento, Ema não soube dizer se Tânia era cega ou se ela mesma é que tinha sido.
Já que Tânia parecia ter algum interesse romântico por Alípio, Ema decidiu usar isso como uma brecha.
Ema acalmou seus ânimos e, fingindo grande interesse, perguntou:
— Como é? Tânia, você tá a fim do Alípio?
Mal Ema terminou a pergunta, e antes que Tânia pudesse responder, Catarina interrompeu apressadamente:
— Que bobagem é essa? Ele é o cunhado Alípio dela, não fale asneiras aqui para não virarmos piada.
Enquanto falava, Catarina deu um leve tapa no braço de Tânia e piscou para ela.
Esse movimento sutil, feito para evitar o olhar de Ema, deixava claro que a tratavam como uma estranha.
No entanto, isso não era novidade alguma.
Antigamente, embora fosse alguns anos mais velha que Tânia, suas roupas eram quase sempre as sobras da irmã.
Como eram tempos de escola, a maioria das roupas era esportiva e larga, então o tamanho não importava muito e Ema conseguia usar.
Ema moveu levemente as sobrancelhas e voltou o olhar para Catarina:
— Mãe, é raro a Tânia voltar, e eu também sinto falta dela. Que tal deixá-la morar no Solar do Vale por um tempo? Quem sabe aparece algum jantar de gala recentemente, e eu posso levá-la para conhecer a alta sociedade.
Ema teve que engolir um nojo indescritível para conseguir chamar aquela mulher de "mãe".
Mas, para conseguir sair dali o mais rápido possível, ela suportou.
Ao ouvir a proposta, Catarina percebeu a grande oportunidade; não havia motivo para recusar.
Ela concordou rapidamente com a cabeça e apressou Tânia para que aceitasse logo.
Ema sorria gentilmente por fora, mas seus olhos analisavam a todos com agudeza.
Desde que entraram até agora, nenhum deles parecia estar com bolsas.
Ema perguntou com naturalidade:
— Tânia, você criou esse hábito no exterior? Sendo uma moça jovem, como saiu de casa sem levar uma bolsa?

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