A voz de Alípio, calma a um nível assustador, logo chegou aos ouvidos de Ema:
— Veja, aqui no canto inferior direito ainda tem a data e a hora, alguns meses atrás... antes de nos divorciarmos...
Ema olhava para Alípio tremendo o corpo todo, enquanto Alípio apontava lentamente para a barriga dela, acrescentando:
— Essa data parece coincidir com o momento em que eles vieram ao mundo...
Ema balançava a cabeça desesperadamente, gritando em prantos:
— Não, não sou eu, eu nunca fiz isso, nunca...
Antes que Ema pudesse terminar a frase, Alípio aplicou força, segurando o queixo dela com mais firmeza.
Ele se aproximou lentamente, colando seu rosto ao dela, e com as costas dos dedos da outra mão, deslizou suavemente por sua bochecha.
Em seguida, a voz dele, baixa e gelada, entrou nos ouvidos dela penetrou nos ouvidos de Ema:
— Ema... anda. Me diz: quem é o cara que tá em cima de você aqui, hein?
As lágrimas dela não paravam de cair.
Ela não era aquela mulher, como poderia saber quem era o homem cujo rosto não foi fotografado?
Ema usou toda a sua força para tentar se livrar do controle dele, mas foi totalmente inútil.
Ela moveu os lábios e disse, sílaba por sílaba:
— Eu não sei, não sou eu, não sou eu! Eu só tive você como homem, eu nunca fiz isso!
Alípio trincou os dentes molares, e seu olhar revelou um traço de escárnio:
— É mesmo? Então me diga, quem é essa mulher idêntica a você?
Enquanto falava, Alípio segurava o queixo de Ema com crueldade.
Ele a empurrou rudemente contra a parede, impedindo-a de escapar de seu olhar.
Forçada a se mover, Ema fixou os olhos na mulher da foto, que exibia uma expressão de pura lascívia.
Ele soltou um bufo frio e a questionou com severidade:
— E então? Isso significa que você finalmente aceitou a derrota?
Alípio aproximou-se novamente do rosto dela, encarando-a com olhos de falcão.
Ema ergueu as pálpebras cansadas, olhando para ele com um olhar vazio e apático.
Naquele momento, os olhos vermelhos de Alípio a varriam incessantemente.
Naquele olhar, além do ódio por ela, parecia não haver mais nada.
Ema riu de repente, um riso baixo carregado de uma loucura assustadora.
A mão de Alípio que segurava seu queixo soltou-se abruptamente; no segundo seguinte, ele segurou o pequeno rosto dela com as duas mãos e disse com a voz rouca:
— Por que se casou comigo? Como você consegue dormir com outro homem com tanta luxúria e depois atuar como uma esposa virtuosa na minha frente sem mudar de expressão? Ema... do que é feito o seu coração?

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