Seus movimentos denotavam uma irritação inquieta, e as emoções reprimidas em seus olhos se condensavam em uma massa densa.
Ocasionalmente, ele lançava um olhar para as costas de Ema, parecendo ter algo a dizer, mas forçava-se a engolir as palavras.
Naquela atmosfera silenciosa, o tempo parecia ter congelado.
Até que uma batida na porta quebrou o silêncio.
Ao ouvir o som, Alípio jogou a ponta do cigarro esmagada no lixo e caminhou rapidamente para abrir a porta.
Marcos estava parado na entrada e relatou imediatamente com grande reverência:
— Sr. Salazar, a clínica pediu pro senhor ir lá.
Os olhos de Alípio escureceram, e ele olhou para trás, vislumbrando a silhueta de Ema na varanda.
Ele perguntou com indiferença:
— Qual foi o resultado?
— Não disseram, apenas pediram que o senhor fosse até lá. — Respondeu Marcos.
— Entendido. Espere-me lá embaixo.
Alípio concordou e fechou a porta novamente.
Ele hesitou por um momento, caminhou lentamente até a varanda e disse para as costas de Ema:
— O resultado da perícia deve ter saído. Quanto ao...
Enquanto Alípio falava, seu olhar vagou para a cintura de Ema.
Ao ouvir a voz dele, Ema virou-se rapidamente.
No instante em que se virou, seus olhos capturaram o olhar de Alípio fixo em seu abdômen.
Ema parou por um momento, caminhou lentamente até ele e levantou seu rosto melancólico para encará-lo:
— Eles são meus, e apenas meus.
Desta vez, as palavras de Ema foram suaves, mas ditas com uma firmeza inabalável.
Alípio baixou os olhos para encará-la, e seu pomo de adão moveu-se involuntariamente.
Ele parecia querer retrucar algo, mas ao ver a palidez no rosto de Ema, forçou-se a conter as palavras.
Após um momento, ele disse simplesmente:
— Descanse primeiro.
Assim que terminou de falar, ele saiu do quarto rapidamente, sem olhar para trás.
Ema ficou atordoada, olhando para a porta fechada.
Seus movimentos eram calmos, mas sua mente trabalhava rápido.
Se Marcos veio buscá-la a essa hora, provavelmente era para levá-la àquele laboratório de análises.
Parecia que o resultado do relatório já havia saído.
Ema não desceu imediatamente; primeiro dispensou Vitória.
Em seguida, foi até o armário, encontrou uma sacola e colocou seus poucos pertences dentro dela.
Quando tudo estava pronto, Ema olhou ao redor do quarto mais uma vez e soltou um suspiro pesado.
Como ele tentaria tirar seus filhos dela a partir de agora? Ela não tinha como saber.
Mas a preocupação no fundo de seu coração tornou-se mais densa e pesada, enchendo-a de inquietação e medo.
Ao sair, atordoada, ela vislumbrou sem querer a fruteira sobre a mesa de centro...
...
No andar de baixo, Marcos andava ansiosamente pelo saguão, pedindo repetidamente a Vitória que subisse para apressar Ema.
Vitória assentiu várias vezes e, quando estava prestes a subir, viu Ema descendo lentamente com uma sacola na mão.
...

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