Assim que Ema terminou de falar, ouviu passos firmes atrás de si.
Seus movimentos pararam por um instante, mas logo ela retomou o que fazia, continuando a fingir que organizava as roupas.
Sem precisar olhar, ela sabia que ele estava parado logo atrás dela, muito, muito perto.
O cheiro singular dele e sua respiração regular chegavam até ela.
Depois de um longo tempo, ela ouviu a voz dele soar em seu ouvido:
— Ema, ficar deprimida assim afeta muito a sua saúde.
Assim que as palavras caíram, ela sentiu as palmas quentes dele em ambos os ombros.
Seu corpo foi virado lentamente por ele.
— Ema... — Ele chamou o nome dela suavemente.
Ema recuperou-se do transe, levantou a cabeça lentamente para encará-lo, e de repente, um sorriso de significado ambíguo surgiu em seus lábios:
— É mesmo? Quando o resultado do teste de paternidade sair e eu for embora daqui, não ficarei mais deprimida.
Ao terminar de falar, o canto da boca de Ema se ergueu novamente, e o sorriso em seu rosto se intensificou.
Alípio fixou o olhar no sorriso dela, e suas sobrancelhas começaram a franzir.
Parecia sentir uma ponta de aversão àquela expressão estranha dela.
As mãos que estavam nos ombros de Ema soltaram-se repentinamente.
O olhar dele tornou-se profundo, acrescido de uma frieza severa.
Ele examinava diretamente a Ema que estava diante dele, alguém que ele não conseguia entender.
Ema observou todas as mudanças na expressão dele e sorriu com conhecimento de causa, como se já esperasse aquela reação.
Em seguida, ela lançou um olhar indiferente para ele e virou-se sem hesitar em direção à varanda.
No entanto, quando chegou à porta da varanda, a voz gélida de Alípio soou atrás dela com um questionamento:
— No seu coração, outros homens são mais atraentes que eu? Eles conseguem te dar mais prazer na cama?
Mal ela terminara de falar, viu Alípio aproximar-se dela com uma velocidade impressionante, cobrindo a distância em passos largos.
A severidade em seu olhar havia sido substituída por chamas de raiva; seus olhos estavam vermelhos e ardentes.
A garganta de Ema engoliu em seco involuntariamente.
Ela sabia muito bem que aquela expressão só aparecia quando ele estava extremamente furioso.
De repente, uma opressão invisível a atingiu, deixando-a quase sem ar.
Mas ela continuou a encará-lo, fingindo não ter medo, enquanto seus olhos revelavam uma ponta de insubmissão.
Rapidamente, a respiração de Alípio à sua frente tornou-se ofegante.
Seu peito subia e descia levemente, como se ele estivesse lutando para conter a fúria interior.
Vendo-o daquele jeito, a calma que Ema tentava manter estava prestes a ser desmoronada pelo nervosismo.
......

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