Ema disse essas palavras quase chorando.
E daí que ele fosse poderoso?
Ela, Ema, recusava-se a acreditar que ele pudesse tapar o sol com a peneira!
— Ah, é? Então quero ver qual é a sua capacidade.
As palavras de Alípio carregavam provocação e ameaça. Ao terminar, ele caminhou em direção à porta.
Vendo isso, Ema correu para alcançá-lo e bloqueou seu caminho:
— Devolva minha bolsa e meu celular!
Alípio, com sua estatura alta, olhou para ela de cima, os cantos da boca se curvando levemente.
Sua voz carregava um tom de sarcasmo:
— O quê? Está tão ansiosa para ligar para o seu antigo amante? Por que ele não atendeu sua ligação quando você foi para a delegacia?
Ao ouvir isso, Ema ficou atônita e deixou escapar:
— Como você sabe?
Assim que as palavras saíram, Ema cobriu a boca instintivamente.
O que ela estava perguntando...
Aos ouvidos de qualquer um, aquelas palavras soariam como se ela tivesse admitido indiretamente que tinha um amante.
Ela estava confusa de tanta raiva!
Ema limpou a garganta e explicou a contragosto:
— Não foi isso que eu quis dizer. Eu quis saber como você descobriu que liguei para a Zenobia Duarte e para o Samuel Machado pedindo ajuda?
— Eu olhei o seu celular.
Alípio respondeu com naturalidade, como se falasse de algo trivial e óbvio.
Ema ficou sem palavras.
Ela arregalou os olhos, olhando para Alípio incrédula.
Com muito esforço, ela engoliu os xingamentos que queria proferir.
— Você sabe muito bem que é a Helena quem está me prejudicando. Por que você a protege?!
A mudança repentina de assunto pareceu atingir Alípio.
Ele, que acabara de abrir a porta, parou. Sua mão na maçaneta recuou lentamente.
Ele ficou parado no lugar, em silêncio por um longo tempo, antes de se virar devagar e dizer com uma expressão plana:
— Você tem provas?
Ema ficou muda instantaneamente. Ela olhou para ele, seus lábios vermelhos se moveram, mas nenhuma palavra saiu.
Mas, de repente, ela pensou no comportamento estranho de Marcos.
Ema falou novamente, com convicção:
— Eu não tenho provas! Mas você tem!
Ao ouvir isso, Alípio voltou para o quarto e caminhou lentamente em direção a ela.
Seu olhar era penetrante, como se quisesse atravessar a alma de Ema.

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