Momentos depois, Helena acariciou a bochecha onde havia levado o tapa e disse, rangendo os dentes:
— Ema! Aconselho você a não cantar vitória antes do tempo. Se não ouviu o que eu disse ao Alípio agora há pouco, posso repetir.
Enquanto falava, o olhar de Helena passou rapidamente pela barriga de Ema.
Ela pousou o braço lentamente sobre o próprio ventre e disse com tom arrogante:
— Ouça bem: Eu! Estou grávida! Do filho do Alípio!
Helena temia que Ema não ouvisse com clareza, então pronunciou cada palavra muito devagar.
Ela achava que, ao dizer isso claramente, enfureceria Ema.
De preferência, que Ema ficasse com tanta raiva a ponto de ir para o hospital!
Mas ela encarou fixamente o rosto de Ema e não viu nenhuma mudança de expressão.
Quanto a Ema, não precisava que Helena a lembrasse novamente; ela já tinha ouvido tudo claramente no banheiro momentos antes.
E, inutilmente, sentiu uma pontada de dor no peito.
O que essa repetição poderia ferir nela? Helena só queria provocá-la.
Ema moveu-se lentamente em direção a Helena, e aquele sorriso voltou aos seus lábios.
Talvez porque Ema tivesse essa mesma expressão quando a esbofeteou, Helena recuou alguns passos em alerta.
O sorriso de Ema se intensificou, e ela murmurou com voz suave e lenta:
— Ah, é? Não tem problema. A família Salazar não deixaria seu sangue desamparado. Então, depois que nascer, eu posso criá-lo ao meu lado. Porém, é uma pena que não vivamos nos tempos antigos. Senão, eu poderia aconselhar o Alípio a te manter como amante. Assim, você não precisaria se humilhar como amante escondida, sem assumir nada...
— Ema! Você!!!
Quando Ema estava na metade de sua frase, Helena já estava tão furiosa que não conseguia falar.
A mistura de ódio e raiva tornava o rosto de Helena algo que só poderia ser descrito como horrível.
Suportando a dor, ela levantou a cabeça com indignação para olhar quem chegara.
Ao encontrar os olhos de Alípio, afiados como facas, toda a sua mágoa explodiu instantaneamente.
Helena desfez-se em lágrimas e gritou histericamente:
— Alípio, não fui eu, não fui eu que quis bater na Ema, foi ela que me humilhou, foi ela que me bateu...
As sobrancelhas de Alípio franziram, e seu olhar oscilou entre Helena e Ema.
Ema assumiu uma postura de quem sofreu grandes injustiças ao encará-lo, tremendo os lábios propositalmente sem dizer uma palavra.
Aquele semblante parecia lamentável, como se ela tivesse suportado todo o bullying de Helena.
Enquanto isso, Helena, semideitada no chão, vendo a atuação fingida e delicada de Ema, sentiu que ia vomitar sangue de tanta raiva.
— Alípio... tudo o que eu disse é verdade, não se deixe enganar pelo fingimento da Ema!

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