No entanto, aqueles olhos profundos e penetrantes continuavam frios, talvez até mais frios do que antes.
Quando Alípio direcionou o olhar para ela, não focou em seu rosto, mas parou diretamente em sua barriga.
Ema sentiu um frio na espinha sob aquele escrutínio e moveu-se instintivamente para escapar de seu olhar.
Só então a voz morna de Alípio soou em seus ouvidos:
— Quando o teste de paternidade sair, a punição ou a recompensa dependerá desse papel.
Ema silenciou. Ela não sabia quanta coragem havia reunido antes de fazer seu pedido.
E ele continuava cheio de suspeitas.
Que seja. O que mudaria se ele acreditasse?
Ema disse com calma:
— Você quer fazer o teste de paternidade, eu concordo. Avise-me quando estiver tudo pronto e eu estarei lá na hora marcada. Obrigada pela refeição. Eu vou embora agora, por favor, devolva minhas roupas e minha bolsa.
Alípio levantou-se do sofá sem pressa e disse em tom de comando:
— Vista a roupa que está sobre o aparador e desça.
Dito isso, ele saiu do quarto sem olhar para trás.
Ema ficou atordoada por alguns segundos. Só quando ouviu o som da porta se fechando é que caminhou até o aparador.
Ao desdobrar o vestido preto, Ema franziu a testa.
Era o tamanho dela, e um tamanho que ela podia usar agora: solto, macio, um autêntico vestido de gestante.
Embaixo da roupa havia uma caixa. Ao abri-la, encontrou um par de sapatos muito macios, que também pareciam servir perfeitamente em seus pés.
Ema refletiu. Ele não a havia impedido de sair, então talvez estivesse se preparando para deixá-la ir.
Ela se trocou rapidamente e desceu as escadas apressada.
Mas, ao chegar ao andar de baixo, ela estacou, completamente atônita.
Na sala de estar luxuosa e elegante, Alípio estava sentado como um rei no sofá individual, com Marcos de pé ao seu lado, demonstrando total reverência.
E diante da mesa de centro, estavam Helena, Fátima, duas modelos e também Vânia!
Ao ver Ema, Vânia correu rapidamente em sua direção:
Sua voz ressoou pelo salão:
— Ema, venha cá. Quem te bateu? E quem te beliscou?
A mão de Ema, dentro da palma quente dele, rapidamente começou a suar frio.
Seria o nervosismo pelo contato físico ou a ansiedade por não saber o que aconteceria a seguir?
De qualquer forma, sua mão tremia levemente.
A voz dele, severa mas cheia de proteção, ainda ecoava nos ouvidos de Ema, como uma alucinação.
Ele... ele estava querendo vingá-la?!
Ema ficou paralisada, incrédula.
O Alípio que sempre a detestou, a desprezou e até a odiou.
Não só foi tirá-la da delegacia, como hoje estava comprando briga por ela?
Será que ela estava sonhando?

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