O atordoado Marcos ficou parado sem ousar se mover, com uma expressão inocente no rosto.
Alípio massageou as têmporas, soltou um bufo frio e disse:
— Todos! Entendeu?
— Sim! — Respondeu Marcos.
O súbito aumento de volume na voz de Alípio fez as costas de Marcos enrijecerem de susto. Se podia responder com uma palavra, jamais usaria duas para não irritá-lo.
Mas quando Marcos estava prestes a chegar à porta, lembrou-se de outro assunto espinhoso e disse, criando coragem:
— Sr. Salazar... sobre o teste de paternidade, já deixei tudo acertado. Devido à confidencialidade, pedi a um médico dos Estados Unidos que viesse. Ele chegará ao aeroporto internacional depois de amanhã, às duas da tarde.
Marcos terminou de falar e, antes de receber a resposta de Alípio, ouviu vozes do lado de fora.
Em estado de alerta, ele abriu rapidamente a porta do escritório.
Não muito longe da entrada, além de duas empregadas, havia mais uma pessoa. Era Helena!
Marcos observou o grupo; as duas empregadas estavam visivelmente ofegantes.
Com seu julgamento aguçado, Marcos visualizou a cena:
Helena subira correndo sem permissão, e as duas empregadas a perseguiram tentando impedi-la.
Marcos também se preocupou imediatamente se Helena teria ouvido o que ele acabara de falar com Alípio.
— Marcos? Onde está o Alípio? Ele está aí dentro? — Perguntou Helena.
Ao ver Marcos, Helena passou direto pelas empregadas e correu até ele.
Talvez por considerar que Alípio estava no quarto, o tom de voz dela com Marcos foi educado e gentil.
Marcos disse de forma séria, mas respeitosa:
— Srta. Ribeiro, o Sr. Salazar e eu estamos discutindo assuntos de trabalho. Peço que aguarde um momento no andar de baixo.
Assim que Marcos terminou de falar, viu Helena lançar-lhe um olhar de desprezo.
Como ela estava de costas para as empregadas, apenas Marcos viu aquele olhar.
Não era a primeira nem a segunda vez que Marcos recebia aquele olhar de desprezo.
— Sr. Salazar, a Srta. Helena Ribeiro chegou.
— Eu ouvi. Trate de trazer as outras pessoas. — Respondeu Alípio com um cigarro na boca, indiferente.
Marcos franziu os lábios em preocupação. Alípio já estava cercado por uma nuvem de fumaça, e seu olhar estava pesado.
Ele... tinha acendido outro cigarro?
Diante daquela expressão de Alípio, Marcos lembrou-se subitamente de um assunto importante ocorrido pouco depois do acidente de Alípio nas montanhas. Ele disse diretamente:
— Sr. Salazar, como devemos lidar com a questão do Samuel? A polícia ainda não encontrou suspeitos da morte dos pais dele, mas ele insiste com a polícia que foi o senhor quem mandou matá-los. Isso...
Pouco tempo atrás, quando o policial veio procurá-lo, Alípio estava com essa mesma expressão: profunda e melancólica.
Marcos suspirou levemente. Por causa do que aconteceu com Ema, já era lucro Alípio não ir atrás de Samuel para criar problemas.
E aquele garoto ainda ousava inverter os papéis e fazer uma acusação falsa?
Enquanto Marcos refletia, a voz rouca de Alípio soou em seus ouvidos:
— Por enquanto, não faça nada. Pode ir.

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