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Na enorme cama de luxo, Ema acordou atordoada.
Ela massageou as têmporas e abriu os olhos lentamente.
Em sua visão ainda um pouco turva, o abajur de chão com luz amarela suave estava aceso na cabeceira.
Com as cortinas fechadas, não dava para saber se lá fora era dia ou noite.
Ela olhou ao redor do quarto devagar: os armários, a poltrona, a penteadeira...
Todos os objetos e suas disposições eram idênticos ao seu antigo quarto no Solar do Vale.
— Solar do Vale?! — Ema murmurou para si mesma e, recobrando a consciência, sentou-se na cama num sobressalto.
Ela não estava no carro de Alípio? Por que estava deitada ali?
Esforçou-se para lembrar e recordou o momento em que adormeceu no carro de Alípio.
Que sono profundo foi aquele!
Ema preparou-se para sair da cama, afobada, mas percebeu de repente que suas roupas haviam sido trocadas por novas.
Isso a deixou ainda mais aterrorizada!
Ela levou a mão rapidamente ao baixo-ventre levemente saliente e tentou sentir se havia algo estranho em seu corpo.
Ao confirmar que os bebês estavam seguros, soltou um longo suspiro de alívio.
Mas, pensando bem, o que a deixava inquieta era...
Ela adormeceu no carro de Alípio. Deixando de lado quem a carregou para dentro do Solar do Vale...
Mas quem trocou suas roupas...
Não poderia ter sido Alípio. Então, as empregadas daqui viram sua barriga saliente e certamente relataram a Alípio.
O que fazer?!
Se ele descobrisse que os bebês ainda existiam, quem sabe se o louco do Alípio não a levaria à força para o hospital novamente para fazer mal aos seus filhos!
Ao pensar nisso, o coração de Ema quase saiu pela boca.
Isso a assustava muito mais do que ter ido para a delegacia.
Certamente algo que o irritou aconteceu enquanto ela dormia.
E ao perguntar dessa forma, provavelmente se referia ao fato de ela ter escapado daquela cirurgia no hospital da última vez.
Enquanto Ema conjecturava, de repente, a mão de Alípio cobriu levemente seu ombro.
Com o toque repentino, Ema estremeceu de susto e soltou um grito.
— Pra que esse grito?
Alípio a encarava com as sobrancelhas franzidas, perguntando friamente.
Ele hesitou por um momento, soltou a mão abruptamente e completou:
— Quem não deve, não teme. Do que você tem medo? Hein?
Ao terminar de falar, Alípio sentou-se lentamente ao lado de Ema.
Ao ver esse movimento, Ema levantou-se da cama imediatamente.
Assim que seus pés tocaram o chão, sem se importar que não havia sapatos, correu desesperada em direção à porta.

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