Delegacia.
A porta da sala de interrogatório se abriu com um rangido.
Um oficial estava parado na entrada e disse de forma protocolar:
— Ema, alguém pagou sua fiança. Assine este documento e pode ir. No entanto, você não pode sair do país recentemente e deve aguardar convocação a qualquer momento.
Ema levantou lentamente os olhos extremamente cansados e olhou para o oficial.
Ele caminhou até ela e entregou o documento e a caneta.
Levaram-se vários segundos até que Ema compreendesse o que o oficial estava dizendo.
O coração de Ema agitou-se. Quem? Quem veio pagar a fiança?
Seria Samuel? Ou Zenobia?
Ema, com a mão trêmula, assinou seu nome de forma torta.
Ela tentou se levantar da cadeira com dificuldade, mas, após várias tentativas, sentiu o corpo mole e a cabeça girar.
Ema fechou os olhos, respirou fundo várias vezes e, depois de mover um pouco as mãos e os pés, conseguiu finalmente se levantar.
Ema seguiu atrás do oficial, com passos cambaleantes, parecendo alguém que acabara de se recuperar de uma doença grave; cada passo exigia muito esforço.
Ao chegar ao saguão, o olhar de Ema varreu todo o espaço.
Quando ela viu claramente quem estava lá, não pôde deixar de prender a respiração.
Alípio?!
Embora ele estivesse usando óculos escuros e máscara, Ema conseguiu reconhecê-lo à primeira vista.
Mas ele... por que viria salvá-la?
Além disso, ele não estava no hospital?
Ema olhou para ele com um olhar complexo; havia uma gaze em sua testa e o braço esquerdo estava enfaixado, suspenso diante do peito.
No entanto, aquele homem continuava com as costas retas e uma postura imponente, como se sempre irradiasse uma espécie de luz ao seu redor.
Num transe, aquele homem que transmitia total segurança...
Mas, nesse momento, Alípio já caminhava em sua direção com passos vigorosos.
Ao ver essa cena, as costas de Ema ficaram tensas e sua mente ficou em branco instantaneamente.
Seu corpo, não se sabe como, virou-se involuntariamente e começou a caminhar de volta.
Mas em apenas alguns segundos, um cheiro familiar e refrescante, misturado com um leve odor de remédio, veio em sua direção.
Alípio já havia se adiantado e bloqueado o caminho à frente dela.
Ema foi forçada a parar, suas mãos caídas agarravam firmemente a barra da roupa, e seu queixo estava quase enfiado dentro da gola.
Parecia exatamente uma garotinha perdida e desamparada.
E Alípio, com o olhar cintilante, fixava a mulher à sua frente, mas como ela estava de cabeça baixa, ele não conseguia ver seu rosto.
— Levante a cabeça. — Ordenou Alípio com a voz suave e quente.
Os pensamentos de Ema ainda voavam desordenados; ao ouvir a ordem nesse intervalo, ela levantou a cabeça mecanicamente.
No momento em que ela levantou a cabeça, a expressão calma de Alípio tornou-se instantaneamente severa.

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