Ema sentou-se novamente perto do canteiro de flores, com o olhar fixo e vazio no horizonte.
Não sabia por que, mas a imagem de Alípio com o rosto coberto de sangue passava repetidamente em sua mente.
O estado em que ele estava indicava que os ferimentos não eram leves.
De repente, ela pensou nas duas vezes em que o amaldiçoou dizendo que ele já estava morto.
Seria algum tipo de premonição macabra?
Ela nunca foi uma pessoa perversa; pelo contrário, tinha o coração mole demais.
Ela o odiava, e disse aquelas coisas rangendo os dentes.
Mas ela não queria realmente que ele morresse.
Ao pensar nisso, as mãos levemente trêmulas de Ema acariciaram o próprio ventre sem perceber.
Por um momento, seu coração ficou inquieto e seus pensamentos desordenados.
— Ema, beba um pouco de suco.
Zenobia falou, tirando Ema de seus devaneios.
Ema recuperou a consciência e ia se levantar, mas Zenobia fez sinal para que ela continuasse sentada.
— Você ouviu quando liguei para o Samuel?
Zenobia perguntou em voz baixa enquanto entregava o suco natural para Ema.
Logo depois, Zenobia sentou-se exausta ao lado de Ema.
Ema segurou a garrafa de suco, ficou em silêncio por um tempo e forçou suas emoções de volta para o fundo da alma.
— Como eles estão?
Ema perguntou enquanto tirava lenços umedecidos da bolsa e indicava para Zenobia limpar o sangue no braço.
Zenobia recusou e suspirou profundamente:
Zenobia virou-se para Ema, com o olhar sério, e baixou ainda mais a voz:
— Eles estavam caminhando à beira do lago quando um homem estranho passou silenciosamente por eles e, de repente, os esfaqueou.
Ao ouvir isso, o rosto de Ema mudou de cor.
Ela prendeu a respiração para ouvir o restante.
— Quando o patrão reagiu e tentou proteger a patroa, já era tarde demais. Segundo o patrão, o homem não roubou as bolsas, nem atacou outros pedestres. Não parecia um ataque aleatório. Parecia que os senhores eram o alvo escolhido.
Ao terminar de falar, Zenobia desabou em lágrimas e segurou firme a mão de Ema:
— Você, eu e o Samuel praticamente crescemos juntos. Você sabe melhor do que eu o quanto eles são pessoas bondosas. Ema, me diga, que tipo de inimigo um casal tão bom assim poderia ter?
Contagiada por Zenobia, as lágrimas de Ema também não paravam de cair.
As duas choraram por um tempo, até que Ema perguntou:
— Deus queira que a senhora fique bem. Zenobia, a polícia já interveio? A beira do lago tem câmeras, devem conseguir descobrir algo, não?

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