O ar dentro do escritório pareceu congelar.
Lílian encarou Isabela, sufocada, com o rosto branco como papel. Depois, balançou a cabeça com dificuldade.
— Não, eu…
— Não tenha tanta pressa em negar. Se fez ou não fez, você sabe muito bem lá no fundo, não sabe?
Lílian ficou sem palavras.
Sim.
Ela havia causado a morte do filho de Isabela.
Ela sabia que Isabela estava grávida. Do primeiro filho, do segundo… não importava. Ela sabia de tudo.
E fora ela quem os matara.
Ao ver Lílian calada, Isabela soltou outra risada fria.
— Foi por sua causa que eu perdi meu filho, e agora você quer que eu salve o seu? Por acaso eu tenho cara de santa?
Lílian permaneceu muda.
Naquele instante, cada palavra de Isabela era como uma lâmina afiada, cortando seu coração sem piedade.
Cristiano soube que Isabela estava no escritório e também foi procurá-la.
Agora, estava parado do lado de fora.
Ao ouvir que ela conhecia James, também ficou chocado.
Mas a conversa que veio em seguida fez seu rosto se tornar cada vez mais frio.
E aquilo ainda não era tudo.
Logo depois, ouviu Lílian dizer, quase sem fôlego:
— Eu errei. Peço desculpas. Por favor, chame o James. Faça ele vir para Nova Aurora!
Naquele momento, Lílian se rendeu por completo.
Ela sabia que Isabela estava sendo tão cruel com todos eles desta vez justamente porque havia descoberto tudo o que tinham feito contra ela no passado.
Negar não fazia mais sentido.
Recusar-se a admitir também não adiantava.
Do lado de fora da porta, Cristiano ouviu as palavras de Lílian. Soavam, sem dúvida alguma, como uma confissão.
No mesmo instante, suas mãos se fecharam em punhos.
O rosto dele parecia coberto por uma camada de gelo.
— Você errou? Está pedindo desculpas? Essa fala só deixa tudo ainda mais ridículo. Por acaso você é uma criança de três anos? — Disse Isabela.
Fez algo errado, pediu desculpas, e pronto?
Desde quando machucar alguém tinha ficado tão barato, a ponto de uma única desculpa resolver tudo?
— O que você quer dizer com isso?
Ao perceber o sarcasmo no tom de Isabela, o rosto de Lílian ficou ainda mais tenso.
— Você tem certeza de que essa criança é sua e do Cristiano? E não… Do Marcelo? — Perguntou Isabela.
Lílian emudeceu.
Do lado de fora da porta, Cristiano também.
Ao ouvir aquela frase de Isabela, os dois, um dentro e outro fora do escritório, mudaram de expressão ao mesmo tempo.
A veia na têmpora de Cristiano começou a pulsar sem parar.
Lá dentro, Lílian sentiu como se a própria respiração tivesse parado. Encarou Isabela, quase sem acreditar.
O pânico em seus olhos se solidificou pouco a pouco.
— Se a criança tiver o sangue de Marcos, eu reconheço esse menino. — Continuou Isabela.
Afinal, quando Marcos ainda era vivo, sempre havia a tratado bem.
Várias vezes, quando Bruna colocava Isabela em situações difíceis, era Marcos quem aparecia para tirá-la do sufoco.
E, mais de uma vez, Isabela até o ouvira repreendendo Bruna às escondidas.
Sempre que Marcos terminava de falar com Bruna, ela passava um bom tempo se contendo diante de Isabela.
Por isso, depois da morte de Marcos, quando Cristiano disse que ajudaria a cuidar da criança, Isabela não disse nada no começo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...