Desde que se recusara a se divorciar, Isabela passou a andar sempre com um sorriso no rosto.
Havia também uma certa suavidade no fundo do seu olhar.
Mas era justamente esse sorriso, essa delicadeza, que feria a família Pereira como lâminas invisíveis.
A Isabela de agora era ainda mais assustadora do que a de antes, quando explodia sem filtro.
Naquela época, ao menos havia algo direto, quase libertador, na forma como enfrentava tudo.
Agora não.
Agora, com aquela calma… Ela parecia capaz de destruir alguém aos poucos.
Cristiano puxou o ar com força antes de falar:
— Então até no País M sua influência já chegou. Pelo visto, Adrian realmente tem um carinho especial por você.
— E não é ótimo ter esse tipo de poder? Pelo menos agora vocês não podem mais me oprimir. — Respondeu Isabela, sem hesitar.
Cristiano franziu o cenho.
— Oprimir você? Quem foi que oprimiu você? E, sinceramente, quem conseguiria fazer isso agora?
Aquilo lhe pareceu quase ridículo.
Isabela soltou uma risada curta, anasalada, cheia de ironia.
— Agora vocês não conseguem mais. Mas antes gostavam bastante de fazer isso, não gostavam?
Cristiano apertou os lábios.
— Antes aquilo não era...
— Não era opressão? Era isso que você ia dizer?
Ela o interrompeu sem lhe dar espaço, com um sarcasmo afiado.
Era sempre assim.
Quando a lâmina não corta a própria pele, ninguém sente a dor de verdade.
Cristiano sabia muito bem quem a mãe era.
Sabia também exatamente quem a irmã era.
E conhecia melhor do que ninguém o tipo de mulher que Lílian era.
Mas isso mudava o quê?
Ele era um Pereira.
E todas elas também eram.
Não importava o que tivessem feito, na boca de Cristiano, tudo acabava na mesma justificativa:
— Elas são assim mesmo.
Sempre assim.
Isabela se lembrava perfeitamente de uma vez em que ele falara de Taís com a maior naturalidade:
— A Taís é assim mesmo, fala desse jeito. Não liga pra isso.
Ou seja, elas podiam ser daquele jeito.
Mas se ela se incomodasse, se doesse, se reagisse… Então o problema era dela.
Cristiano ficou em silêncio.
Chegou a mover os lábios, como se fosse responder, mas desistiu.
E, como se já não bastassem todos os problemas que o consumiam nos últimos dias, ouvir aquilo de novo fez a raiva de Cristiano finalmente transbordar.
— Então foi por isso? — Sua voz endureceu por completo. — Foi por causa dessas coisas que você virou a família Pereira de cabeça pra baixo?
Ele a encarou, incrédulo, irritado.
— Você acha mesmo que isso tudo justifica esse nível de ressentimento?
— Agora, claro que não precisa mais. — Isabela respondeu com calma.
Cristiano ficou imóvel por um instante.
Então ela soltou uma risada baixa, carregada de puro sarcasmo.
— E outra… Não sou eu que estou presa nisso. Foi você que trouxe esse assunto de volta, não foi?
Tinha sido ele quem acabara de dizer que a levou para morar fora.
Como se tivesse feito um grande esforço por aquele casamento.
Como se tivesse se sacrificado por aquela relação.
Mas foi mesmo assim?
Era essa a verdade?
Bastava ouvir o que ele próprio dizia.
Aquilo era opressão?
Então era isso.
A lógica da família Pereira sempre foi a mesma: elas eram daquele jeito, e quem estivesse ao lado delas que se adaptasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...