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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 491

Isabela já tinha ido embora.

Os homens dela, porém, continuavam ali. Por isso, embora Lílian estivesse ardendo de raiva e quisesse xingá-la até perder a voz, no fim só conseguiu amaldiçoá-la em silêncio, dentro da própria cabeça.

Quando Bruna e Taís souberam que Lílian tinha sido mandada para limpar os currais, trocaram um olhar e sorriram, claramente satisfeitas.

— Aquela desgraçada. Antes me enganou direitinho. Agora está pagando pelo que fez.

Pouco antes, Bruna quase tinha ido até a cozinha pegar um facão para matá-la.

Mas, com os homens de Isabela por perto, nem conseguiu entrar.

Pensando bem, aquilo já bastava.

Mandar Lílian limpar os currais daqueles animais já era castigo suficiente. Morrer de uma vez seria até bondade demais para ela.

Assim que voltou para a casa principal, Isabela recebeu uma ligação de Sérgio.

Logo depois, subiu, trocou de roupa e saiu de novo.

No instante em que ela partiu, Bruna lançou um olhar para Taís.

Taís foi a primeira a falar:

— Eu ouvi. Era o Sérgio.

Ao mencionar o nome dele, sua voz se tingiu de tristeza.

Até o ferimento em sua testa pareceu latejar levemente naquele momento.

Bruna percebeu a mágoa nos olhos da filha e soltou um suspiro.

— No fim das contas, fui eu que acabei te prejudicando.

— Mãe...

— Eu não devia ter te arrastado para essa briga com a Isabela.

Ao se lembrar de tudo o que Cristiano tinha dado a Isabela e de como ela mesma tomou tudo de volta para entregar a Taís e a Lílian, Bruna sentiu o peito apertar.

E agora?

Lílian não passava de uma ingrata, podre por dentro.

E, por causa de tudo o que tinha feito, a reputação de Taís entre as madames já estava completamente destruída.

— A família Cardoso provavelmente já viu a fama que você ganhou. É por isso que até agora não deu nenhuma resposta.

Mas que "não deu resposta" nada.

A ausência de resposta já era, por si só, a resposta mais clara possível. Os mais velhos da família Cardoso simplesmente não aprovavam Taís.

Ao ouvir aquilo, a tristeza nos olhos dela se aprofundou ainda mais.

— Então... No caso do Sérgio e de mim, tudo o que me resta é aceitar?

Bruna ficou em silêncio.

Aceitar o destino...

Essa ideia nunca tinha feito parte do mundo dela. Mas, quando se tratava de Taís e Sérgio...

Depois de um momento, Bruna falou:

— Entre duas pessoas também existe isso de afinidade, de destino. Tem que existir.

— Mas eu gosto dele. Gosto de verdade. Se eu me apaixonei por ele, isso não quer dizer que já existe alguma ligação entre nós?

E Taís, antes mesmo de se casar, já tinha tomado para si as coisas da própria cunhada dentro de casa. Era exatamente o tipo de atitude que ninguém conseguiria aceitar.

A maldita Isabela...

Mesmo depois de tudo o que tinha acontecido naquela casa, ela ainda fez questão de espalhar o escândalo por toda parte.

Agora não era só a família Cardoso.

Em qualquer outra família, provavelmente também haveria receio em aceitar uma mulher com o temperamento de Taís dentro de casa.

Isabela foi se encontrar com Sérgio.

Ele a levou a um restaurante. Quando os garçons começaram a servir os pratos, as pupilas dela se contraíram por um instante.

Quase por reflexo, ela ergueu os olhos para ele.

— Você...

— O que foi?

— Como é que você sabe que eu gosto dessas coisas?

Cada prato que chegava à mesa era exatamente do jeito que ela gostava.

Todas as vezes em que tinha saído para comer com Sérgio foram depois do rompimento com Cristiano.

Na época em que ainda estava com Cristiano, ela e Sérgio mal podiam ser considerados próximos.

Então por quê?

Por que, ao encarar aqueles olhos, ela sentia uma familiaridade tão estranha?

Uma familiaridade funda, antiga, como se estivesse enterrada havia muito tempo em algum canto da alma...

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