Área dos animais.
Isabela quase chegou a sorrir.
Aquilo, sim, era um ótimo trabalho.
Na família Pereira, cada um tinha seu animal preferido, cães, gatos, papagaios… De tudo um pouco.
Gostar, eles gostavam.
Mas manter os bichos dentro da casa principal já era outra história.
Por isso existia uma área específica só para eles, sempre cuidada pelos empregados.
Os donos apareciam quando tinham vontade, brincavam um pouco… E iam embora.
Lílian, por exemplo, adorava cães de grande porte.
O dela era particularmente feio, um bicho cheio de rugas no rosto.
No passado, ela chegou a tentar, escondida, fazer o animal atacar Isabela.
Mas teve azar.
Isabela tinha crescido em um orfanato.
Coisas assim nunca a assustaram.
Quando o cachorro avançou, ela simplesmente pegou o que estava ao alcance e acertou a cabeça dele.
O animal sangrou bastante.
Lílian fez um escândalo, chorou, correu para Bruna como se fosse a maior vítima do mundo.
E Bruna, como sempre, conseguiu piorar tudo.
Chegou ao ponto de exigir que Isabela pedisse desculpas ao cachorro.
Ela, obviamente, não pediu.
A confusão só terminou quando Cristiano voltou para casa.
Depois de terminar o chá, Isabela se levantou.
Área dos animais, antes, Isabela quase nunca vinha ali.
Sabia que a família Pereira criava bichos.
Mas não imaginava que fossem tantos.
O espaço era enorme.
Cães, gatos, coelhos… Até alpacas.
E, pelo visto, ainda havia mais.
Assim que desceu do carro, levou a mão ao nariz por reflexo.
O cheiro era insuportável.
O odor forte de vários animais misturados deixava o ar pesado, quase irrespirável.
Quando ergueu os olhos, viu Lílian não muito longe, apressando Sabrina sem parar.
— Anda logo. O pessoal dela não está aqui agora.
Enquanto falava, abanava o ar diante do rosto, claramente incapaz de suportar o fedor impregnado no ambiente.
O cachorro que ela tanto adorava antes girava ao redor de seus pés.
Mas naquele dia, não recebeu nem um olhar de carinho.
Irritada, Lílian deu um chute no animal.
— Sai daqui. Não tá vendo que eu já tô cheia disso?
Para elas, os bichos sempre foram assim.
Brinquedos, quando estavam de bom humor.
Incômodos, quando não estavam.
Mas ela?
Logo ela foi parar ali, limpando o espaço dos animais.
— Ah, eu não aguento mais. Vou sair primeiro. Termina isso logo… Daqui a pouco o pessoal dela volta.
Mal terminou de falar e já caminhava apressada em direção à saída, o rosto tomado de repulsa.
Mas, ao chegar à porta…
Parou.
Seus olhos encontraram diretamente o olhar de Isabela.
Sorrindo.
Na mesma hora, sua respiração travou.
Nesse instante, a funcionária responsável por vigiá-la voltou do banheiro.
Ao ver Isabela ali, imediatamente se endireitou:
— Senhora Isabela.
Isabela assentiu de leve e então voltou o olhar para Lílian.
A funcionária percebeu a presença de outra pessoa ali dentro.
Primeiro estranhou.
Depois avançou dois passos e repreendeu, fria:
— Eu não disse que ninguém podia ajudar você?
Lílian ficou muda.
Olhou para Isabela.
E, naquele instante, a fúria e a humilhação que a engoliram foram tão intensas… Que parecia estar mastigando os próprios dentes quebrados, misturados com sangue.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...