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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 475

Sob o sorriso arrogante de Isabela, Lílian acabou subindo as escadas, consumida pela raiva.

Quando todos já tinham saído, Wallace entregou a Isabela uma xícara de chá de frutas.

— Fazer alguém arrancar a própria máscara com as próprias mãos... Por dentro, isso queima como lava.

Ao ouvir aquilo, Isabela sorriu.

— Uma pena que Cristiano não vá acreditar.

Wallace respondeu com calma:

— Mesmo que ele não acredite na senhorita, também não vai conseguir acreditar por completo na Lílian.

Isabela arqueou as sobrancelhas e lançou a ele um olhar de lado.

— Homem, às vezes, é assim mesmo. Se apega demais ao próprio orgulho. — Continuou Wallace.

Aquilo fez Isabela rir ainda mais.

— Orgulho, é? — Ela baixou os olhos para o chá em suas mãos e comentou, num tom leve, cheio de ironia. — O problema é que, às vezes, o orgulho dele chega a sufocar.

Uma relação entre marido e mulher deveria se sustentar na franqueza, sem segredos nem meias-verdades.

Mas, por causa daquele orgulho ridículo dele, tudo tinha virado um desastre.

Só que aquilo já não importava mais.

Afinal, quem teria de aguentar Cristiano pelo resto da vida não seria ela.

Como Wallace tinha imaginado, a história de Lílian era apenas o último gesto de teimosia de Cristiano diante de Isabela.

Ou talvez fosse porque, depois de tantos anos ouvindo as intrigas de Lílian, ele já tivesse desenvolvido o reflexo de nunca acreditar em Isabela.

Por isso, naquele dia, mesmo já desconfiando de Lílian, ainda quis encontrar uma justificativa.

Uma justificativa que tornasse a morte de Marcos menos humilhante.

Então escolheu acreditar em Lílian.

Escolheu concluir que Isabela a tinha forçado.

Ao mesmo tempo em que empurrava Isabela até o limite, também enganava a si mesmo.

Assim que saiu da mansão da família Pereira, Cristiano ligou para Samuel.

— Investigue. Quero saber exatamente desde quando Lílian começou a se envolver com Marcelo. E tem mais...

Ao chegar a esse ponto, Cristiano estreitou os olhos de um jeito perigoso.

Em sua mente, surgiu a imagem daquele rosto idêntico ao seu.

No segundo seguinte, a frieza em seus olhos se tornou ainda mais cortante.

— Reabra a investigação sobre a queda do avião.

Antes, eles já desconfiavam.

Desde o começo, Marcelo era o principal suspeito. Afinal, os dois sempre estiveram em lados opostos.

Isabela soltou uma risada baixa.

— Hah...

Cristiano continuou, cada vez mais agressivo:

— Não ache que aquele homem do País Y, em quem você se apoiou, vá lhe dar alguma coisa. Adrian tem família. Isabela, eu realmente superestimei você. Em vez de continuar sendo minha esposa, a senhora Pereira de direito, você preferiu abrir mão de tudo para correr atrás de um homem casado do País Y.

Cristiano estava claramente fora de si.

Assim que encontrou uma brecha, cravou em Isabela golpe após golpe, sem poupar nada.

Ao ouvir Adrian ser mencionado daquela forma e perceber o tipo de relação que Cristiano imaginava existir entre os dois, Isabela primeiro ficou em silêncio por um instante.

Depois, soltou uma risada baixa.

E naquela risada havia mais do que ironia.

Havia escárnio. Deboche puro.

— Cristiano, eu também superestimei você. E superestimei todo mundo ao seu redor.

Ele não era cercado de gente competente?

Não eram todos tão capazes assim?

Sempre que Cristiano queria descobrir alguma coisa, aquele bando de especialistas corria para lhe entregar uma resposta em minutos.

E, mesmo com tanta gente supostamente eficiente ao redor dele, a relação entre ela e Adrian, na boca de Cristiano... Tinha virado isso.

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