O rosto de Lílian perdeu ainda mais a cor.
As palavras que ela tinha usado havia pouco para provocar Isabela, diante daquilo, não significavam mais nada.
O que Isabela acabara de dizer, sim, machucava de verdade.
Porque, no estado em que se encontrava agora, de que adiantava ter a confiança de Cristiano?
Ele confiava nela.
E, mesmo assim, não conseguia protegê-la.
Isabela baixou os olhos para ela.
— Vai falar ou não?
Lílian continuou em silêncio.
Falar o quê?
Contar para Isabela que, diante de Cristiano, tinha voltado a jogar a culpa sobre ela?
Lílian fechou os olhos, decidida a não abrir a boca.
No segundo seguinte, Isabela pressionou ainda mais o pé.
Naquele instante, Lílian ouviu com clareza um estalo seco.
Crec.
Uma dor lancinante explodiu em seu joelho.
— Aaah! Aaah! Aaaah...!
Dessa vez, ela já não conseguiu se conter e começou a gritar de forma histérica.
E aqueles gritos dilacerados fizeram Bruna e Taís perceberem que já não conseguiam mais ficar naquela sala.
Lílian era odiosa, sim.
Mas as duas sabiam muito bem que a crueldade que Isabela estava despejando sobre ela podia, no instante seguinte, se voltar contra elas também.
A Isabela de agora era assim.
Sem freio. Sem escrúpulos. Sem a menor compaixão.
As duas mal tinham acabado de se virar quando ouviram, atrás delas, a voz glacial de Isabela:
— Esperem.
Ela falou de repente.
Bruna e Taís enrijeceram na mesma hora. Assustadas, viraram-se de volta, com o corpo inteiro tenso.
Isabela lançou um olhar para Bruna.
— Afinal, ela foi a nora que você mimou por tantos anos. Você realmente não quer ver com os próprios olhos que tipo de criatura ela é?
— Eu... Eu já sei. — Bruna respondeu quase sem fôlego.
Desde o instante em que soube que Lílian tinha entrado no carro de Marcelo, já tinha entendido perfeitamente que tipo de mulher ela era.
Isabela soltou uma risada curta.
— Não. Se você não viu com os próprios olhos, então não sabe.
Se Isabela realmente decidisse inutilizar uma de suas pernas naquele dia, não haveria ali uma única pessoa para interceder por ela, muito menos alguém disposto a protegê-la.
Lílian fechou os olhos.
— Eu disse a ele... Que fui forçada.
No instante em que aquelas palavras saíram de sua boca, algo dentro dela desabou por completo.
O mesmo aconteceu com Bruna e Taís.
Isabela tinha acertado precisamente...
Só quando se via com os próprios olhos aquela máscara bonita se espatifando no chão é que a dor realmente atravessava o peito.
Lílian suportou à força a dor lancinante que vinha da perna e continuou, apressada:
— Eu não disse que tinha sido você quem me obrigou. Foi o próprio Cris que pensou isso...
Mas, para Isabela, aquilo claramente não bastava.
Ela aumentou de novo a pressão do pé.
Ao sentir a força crescer sobre o joelho, Lílian gritou outra vez, em pânico:
— Mas eu insinuei, sim! Eu deixei ele pensar isso o tempo todo! Fui eu que induzi o Cris a acreditar nisso, fui eu! A culpa foi toda minha!
No fim, Lílian acabou confessando tudo.
Dessa vez, sua máscara...
Enfim tinha se rasgado por completo diante de Bruna.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...