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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 405

Flávia respondeu sem alterar o tom:

— O que a senhora Bruna tem a dizer, dona Mônica já sabe. E mandou avisar que isso não faz diferença nenhuma.

— O quê?

Ao ouvir aquilo, Bruna simplesmente não conseguiu acreditar.

Não fazia diferença?

Mesmo que o próprio filho estivesse envolvido com uma mulher casada, ainda assim aquilo não era um problema?

Não diziam que os mais velhos da família Cardoso eram conservadores até demais?

Então por que, justamente nesse assunto, reagiam assim?

Bruna falou com a respiração presa:

— Há coisas que dona Mônica não sabe. Eu preciso falar com ela pessoalmente.

Flávia respondeu na mesma hora:

— Dona Mônica também mandou dizer que não quer ouvir nada. E que não tem interesse em saber de nada.

Bruna ficou paralisada.

Não queria ouvir.

Nem queria saber?

— Quando ela descobrir, talvez já seja tarde demais.

Flávia continuou serena:

— Isso não será uma preocupação da senhora Bruna.

Depois de dizer isso, virou-se e entrou.

Antes de desaparecer lá para dentro, ainda deixou algumas instruções aos seguranças.

O recado era claro: dali em diante, não importava o que Bruna dissesse, ninguém mais precisava ser avisado.

Quando Flávia já estava prestes a entrar, Bruna ainda a chamou, às pressas:

— Espera!

Mas, dessa vez, Flávia nem reduziu o passo.

Como se não tivesse ouvido absolutamente nada, entrou de vez.

O vento frio cortava o ar.

Bruna tremia da cabeça aos pés, sem saber se era de frio... Ou de raiva.

Como aquilo tinha chegado àquele ponto?

Quando foi que tudo saiu tanto do controle?

Antes, ninguém ousava tratar alguém da família Pereira daquela maneira.

E agora?

Só porque Isabela e Cristiano tinham entrado em conflito, todos já achavam que a família Pereira estava prestes a desmoronar?

Ela tinha ido até ali duas vezes.

E, nas duas, a família Cardoso a deixara do lado de fora, sem sequer conceder uma audiência.

Tomada pela raiva, Bruna cerrou os dentes e se virou para ir embora.

Não tinha andado muito quando o telefone tocou.

— Como isso foi acontecer? Não era para ele querer matar a Isabela?

Do outro lado, Taís parecia à beira do colapso.

— Eu não sei, não sei de nada! Mãe, eu realmente não sei lidar com o Sérgio. Ele é frio demais comigo. — Sua voz tremia cada vez mais. — Foi a Isabela que traiu a confiança dele. Foi ela que fez ele de idiota... E, mesmo assim, ele quase me matou.

Quanto mais Taís falava, mais descontrolada ficava.

E Bruna, do outro lado da linha, ouvia tudo com o coração aos saltos.

— Como isso pôde acontecer...?

Aquilo era, claramente, a chance perfeita de derrubar Isabela de uma vez por todas.

Então por que tudo tinha terminado daquele jeito?

Taís quase gritou, tomada pelo desespero:

— Eu não sei! Eu não sei de nada! Eu quase morri!

Percebendo o estado da filha, Bruna já não pôde continuar pressionando por explicações.

— Está bem, está bem... Primeiro volta para casa. Volta para casa.

Mas, no instante em que ouviu a palavra casa, Taís perdeu completamente o controle.

— Casa? Aquilo ainda é a minha casa? Aquilo lá pode ser chamado de casa? Até o meu quarto foi mexido!

Ao tocar nesse assunto, a emoção de Taís mudou.

No meio do desespero, havia ódio.

Ódio de verdade.

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