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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 391

Bruna ficou em choque.

No instante em que ouviu aquelas palavras de Isabela, o rosto dela se fechou por completo.

Ao notar a mudança em sua expressão, Isabela entendeu tudo na mesma hora.

Bruna sabia. É claro que sabia. Depois de tantos anos à frente da família Pereira, como não conheceria a verdadeira natureza de cada um naquela casa?

Se tratava Lílian com tanta consideração, não era porque a outra fosse uma nora exemplar, dócil e adorável.

Era puro interesse.

Interesse...

Antes, por interesse, Bruna tinha sido capaz até de tratar uma vida humana como se não valesse nada.

E agora, por causa do próprio neto, também tinha escolhido fazer vista grossa para tudo o que Lílian fazia.

— Só isso já não basta para eu te odiar com todas as minhas forças?

Bruna rebateu no mesmo instante, quase por reflexo:

— Não. Não foi por isso.

Pouco antes, no andar de cima, ela já tinha falado sobre isso com Taís. Não fazia sentido.

Se Isabela realmente a odiasse por causa daquilo, não teria esperado até agora para se vingar.

Tinha que existir outra razão.

Isabela apenas sustentou o olhar dela, com um leve sorriso nos lábios, sem responder.

Mas Bruna viu.

Viu com clareza o brilho nos olhos dela esfriar aos poucos, até se tornar algo brutal, quase sanguinário.

Um arrepio percorreu sua espinha.

Por um segundo, teve a nítida sensação de que Isabela podia pegar a faquinha de frutas sobre a mesa e cravá-la nela sem pestanejar.

Sob aquela pressão sufocante, Bruna não conseguiu ficar ali nem mais um instante.

Levantou-se de repente e subiu correndo, tomada pelo pânico.

Aquilo era insuportável.

Nunca antes o olhar de Isabela lhe parecera tão perigoso.

Quando viu Bruna subir às pressas, Taís correu atrás dela.

Só depois que as duas entraram no quarto e fecharam a porta é que Bruna percebeu o coração ainda disparado no peito.

Taís a observou por um momento e, vendo o estado em que ela estava, não aguentou:

— Por que você saiu daquele jeito? Ela nem chegou a dizer qual era o motivo.

— Você não entendeu? Ela não ia dizer.

Bruna apertou os dentes, ainda longe de se acalmar.

Taís hesitou antes de perguntar:

— Será que... Ela nem tem motivo nenhum?

— Tem. Claro que tem.

Lá embaixo, Isabela não tinha dito nada com todas as letras.

Mas Bruna entendeu pela forma como ela a olhou.

Havia, sim, um motivo para aquele ódio.

E não era só contra ela.

Então era isso?

No fim, ainda existia outro homem esperando por Isabela?

— Aquela desgraçada perdeu a cabeça? Teve coragem de usar até o Sérgio! E quando sair de Nova Aurora e for para o país Y? O Sérgio não vai acabar acertando as contas com a família Pereira por causa disso?

Só de pensar nisso, o sangue de Bruna fervia.

Taís também empalideceu de ódio.

— Mas de onde ela tirou tanta coragem? Como consegue manter o Sérgio preso a ela e, ao mesmo tempo, ainda deixar outro homem esperando?

— Dessa vez... A gente realmente subestimou ela. — Bruna falou entre dentes.

Até então, Isabela parecia tão obediente, tão inofensiva... Uma garota ingênua, aparentemente incapaz de qualquer ameaça.

Quem imaginaria que havia alguém à espera dela no país Y?

Taís franziu a testa.

— Mas quando foi que ela se envolveu com alguém de lá? O meu irmão nunca percebeu nada?

— E o que é que o seu irmão percebe? Ele não sabe de nada. — Bruna respondeu, irritada.

Isabela era muito mais ardilosa do que elas imaginavam.

— Capaz até de o Sérgio estar sendo feito de trouxa.

No instante em que disse aquilo, sugerindo que talvez Sérgio nem soubesse da existência desse outro homem no país Y, os olhos de Bruna se iluminaram de repente.

As duas se encararam e entenderam tudo sem precisar dizer uma única palavra.

A respiração de Bruna ficou ainda mais acelerada.

— Liga agora para a família da sua cunhada e pede que mandem um carro para te buscar. Você vai contar tudo ao Sérgio.

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