Taís franziu a testa.
— Mas afinal... O que foi que aconteceu?
Bruna permaneceu em silêncio.
Era exatamente isso.
O que, afinal, tinha acontecido?
Por que Isabela a odiava daquele jeito?
De repente, Bruna murmurou, como se tivesse acabado de chegar a uma conclusão:
— Não... Ela não odeia só a mim. Ela odeia a família Pereira inteira.
Taís arregalou os olhos.
— O quê?
— É isso. — Quanto mais falava, mais convicta Bruna soava. — Ela entrou nesta mansão carregando ódio. O que ela sente é ódio da família Pereira inteira.
E, quanto mais repetia aquilo, mais acreditava.
Na cabeça de Bruna, só podia ser isso.
Isabela precisava odiar a família inteira.
Porque, se não odiasse, como teria sido capaz de levar tudo até aquele ponto?
Taís engoliu em seco.
— Mas, mesmo que ela odeie a família Pereira inteira, não deve ser só por causa do que aconteceu antes.
Naquele instante, pela primeira vez, Taís sentiu que talvez elas realmente tivessem ido longe demais com Isabela.
Talvez...
Sob toda aquela pressão sufocante, finalmente começava a enxergar o quanto tinha sido cruel.
Mas Bruna continuou balançando a cabeça.
— Não. Com certeza não é só por causa daquilo.
— Não?
— Se fosse, ela já teria começado a causar problemas naquela época. Por que esperar até agora?
Agora, tudo indicava que alguma coisa tinha acontecido de repente.
Alguma coisa que fez Isabela explodir de vez.
Taís ficou ainda mais confusa.
— Então por quê? Qual é o motivo?
Bruna, já no limite, perdeu a paciência de uma vez.
— Como é que eu vou saber? Para de perguntar, pode ser?
Taís se calou na mesma hora.
Ódio da família Pereira inteira...
Se era esse ódio que movia Isabela, então os dias dali para frente talvez fossem ainda piores.
A respiração de Taís encurtou enquanto ela observava Bruna.
Bruna fechou os olhos com força e cerrou os dentes.
— Maldita... Por que ela odeia tanto a gente? Por quê? Por quê?
Naquele momento, Bruna estava à beira da loucura.
Só queria descobrir uma coisa: Por que Isabela odiava tanto a família Pereira.
Porque, se soubesse de onde vinha esse ódio, talvez também conseguisse desfazer o nó que carregava no peito.
Desfazer o ódio de Isabela...
Durante todos aqueles anos na família Pereira, Bruna nunca fora do tipo que tentava resolver problema nenhum de verdade.
Mas agora, diante de Isabela, ela queria resolver.
Não...
Na verdade, estava dividida.
Uma parte dela queria acabar de uma vez por todas com aquele impasse.
A outra, consumida por tudo o que Isabela vinha fazendo, às vezes sentia tanta raiva que chegava a desejar que ela desaparecesse para sempre.
— Não seja boazinha demais.
Isabela arqueou uma sobrancelha.
— Wallace te disse que eu estou sendo boazinha?
— Isso não. — Respondeu Yari, seco.
Bondade...
Isso era algo que já não existia mais em Isabela.
E aquilo que ela estava fazendo agora?
Era só o começo.
Mesmo assim, só esse começo já tinha virado a família Pereira de cabeça para baixo.
Elas já estavam no limite.
Cristiano também.
Tanto que não parava de falar em divórcio.
Uma pena.
Quando era ela quem queria se divorciar, antes, ele não aceitava.
Então agora que aguentasse mais um pouco.
Do outro lado da linha, a voz de Yari se suavizou.
— Volta logo. O pai está com saudade de você.
Isabela sorriu.
— Eu sei. Eu também estou com saudade de vocês... De você ainda mais.
Ao dizer aquilo, um sorriso raro e suave apareceu no canto dos seus lábios.
Foi exatamente nesse momento que Bruna e Taís vinham descendo a escada.
E, por coincidência, ouviram justamente essa frase.
Na mesma hora, Bruna ergueu a mão e impediu Taís de continuar descendo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...