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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 379

Durante anos, tinha sido sempre assim.

De manhã, quando Cristiano saía para trabalhar, Bruna mandava alguém acordar Isabela. À noite, mesmo depois que ele já tinha ido embora, ainda dava um jeito de importuná-la até tarde.

E, na cabeça dela, aquilo fazia parte do que se esperava de uma nora.

Então era isso que Wallace queria dizer?

Que Isabela ainda tinha o direito de se fazer de vítima?

Ou estava apenas aproveitando a oportunidade para cobrar, com juros, tudo o que tinha engolido no passado?

Cristiano cerrou os dentes.

— Me soltem.

As palavras saíram secas, pesadas, mastigadas na raiva.

Em Nova Aurora, ninguém ousava tratá-lo daquela forma.

Naquela noite, porém, ele já tinha visto de tudo.

Desde que passara a ter Sérgio ao lado, Isabela parecia não conhecer mais limite nenhum.

Wallace fez um gesto discreto com a mão.

Os seguranças soltaram Cristiano na mesma hora.

Ele se levantou devagar, passou a mão no canto da boca e, ao olhar o dorso da mão, viu o sangue.

Ergueu os olhos para Wallace.

O olhar vinha gelado.

— Acho que vocês ainda não entenderam uma coisa. Eu e Isabela ainda somos casados. — Ele falou pausadamente, marcando cada palavra. — Então agora eu preciso da autorização de vocês para entrar no quarto da minha própria mulher?

Wallace não mudou de expressão.

— Casados ou não, isso já não faz tanta diferença, Sr. Cristiano. Melhor não levar esse casamento tão a sério agora. Quando a nossa senhorita levou, ninguém aqui deu o menor valor.

Era verdade.

Houve um tempo em que Isabela tinha levado aquele casamento a sério.

Tentara protegê-lo, sustentá-lo, salvar o que ainda podia ser salvo.

E o que recebeu em troca foi desprezo, frieza e gente tentando derrubá-la por todos os lados.

Por isso, se agora ela já não tratava mais aquele casamento como algo importante, não havia nada de estranho nisso.

Cristiano respirou fundo, segurando a própria fúria.

— E quem está levando isso a sério agora? É ela que não quer se divorciar.

Wallace sustentou o olhar.

— Divórcio ou não... O de vocês nunca foi um casamento de verdade. Sempre foi um casamento pela metade.

Cristiano se calou.

Bruna e Taís também.

Um casamento pela metade.

Então era isso?

Isabela podia usar o nome de esposa de Cristiano quando lhe convinha para se impor dentro da casa, para apertar as duas, para humilhá-las sem freio.

Mas, no fundo, nunca tinha sido reconhecida como esposa de verdade.

Agora tudo começava a fazer sentido.

Só que até onde ela pretendia levar aquilo?

E, mesmo assim, ainda insistia em dizer que queria se tornar a dona da família Pereira.

Aos olhos de Bruna, era o retrato perfeito de alguém ocupando um lugar que nunca lhe pertenceu.

Cristiano acendeu um cigarro.

Tinha saído da empresa direto para casa, sem passar em lugar nenhum, sem comer.

Depois de puxar uma tragada, perguntou:

— Tem alguma coisa para comer?

Assim que a pergunta saiu, ele se arrependeu.

Porque as duas também estavam sem comer.

Bruna respondeu com a voz amarga:

— Faz dois dias que eu não me sento para fazer uma refeição de verdade.

A fome já tinha passado do ponto do incômodo. Estava virando desespero.

Cristiano fechou os olhos por um instante.

De repente, toda a raiva que vinha carregando pareceu bater em vazio.

Como se tivesse socado fumaça.

Como se não houvesse onde descarregar aquilo.

Como se nada surtisse efeito.

Divórcio.

Pela primeira vez, esse pensamento caiu sobre ele com uma força brutal.

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