Mesmo sem ninguém por perto, Taís ainda baixou a voz:
— Se você fizer isso, vai acabar na cadeia.
Além do mais, a cozinha agora estava cheia de gente de Isabela. Se quisessem mexer em qualquer coisa, não teriam a menor chance.
Com os olhos acesos de ódio, Bruna rebateu:
— Mesmo que eu vá presa, não vou aceitar essa humilhação vinda dela.
Naquele momento, Bruna já tinha perdido completamente a razão.
Ela se recusava a baixar a cabeça.
Baixar a cabeça para quem?
Para Isabela?
Quem aquela mulher pensava que era?
Alguém que a família Pereira sempre desprezou e que, agora, estava por cima, pisando nela como se fosse dona de tudo.
Taís ficou sem saber o que dizer.
A fúria de Bruna já tinha despertado algo ainda mais sombrio.
Agora, só havia um pensamento ocupando sua cabeça: fazer Isabela morrer.
Taís respirou fundo e tentou trazê-la de volta à realidade.
— Pelo menos por esta noite a gente precisa trocar isso por comida, não precisa? Mesmo que a gente fique sem comer, será que a cunhada aguenta? Ela ainda está de resguardo.
Era evidente que, independentemente do que Bruna pretendesse fazer depois, naquela noite elas teriam de ceder primeiro.
Ao ouvir aquilo, Bruna passou a respirar com mais força.
— É... Sua cunhada precisa comer.
Embora estivesse irritada com o jeito manhoso e cheio de frescura de Lílian, bastava pensar em Vanessa por trás dela para Bruna saber que não tinha escolha senão cuidar bem dela.
Afinal, Vanessa também não era alguém com quem se pudesse mexer.
No fim, Bruna engoliu à força a fúria que queimava em seu peito.
No instante em que pegou a toalha que Taís lhe estendia, quase teve de segurar o enjoo.
— Anda logo. Já está tarde demais. Vamos acabar com isso, comer alguma coisa e dormir.
Taís a apressou.
As duas só queriam terminar aquilo o quanto antes.
Mas os homens de Isabela ficaram ali, de olho nelas. Se houvesse um único pedaço mal limpo, nem podiam dar o serviço por encerrado.
E não parava por aí.
Em alguns trechos, elas ainda tinham de esfregar o chão com as próprias mãos.
Mesmo no tempo em que a família Pereira tinha empregados, elas nunca haviam torturado os empregados daquela maneira.
E agora Isabela as fazia passar por aquilo.
Naquele instante, ela se sentia de fato humilhada.
Em toda a vida, nunca tinha sido tratada daquela maneira. E agora estava sendo reduzida àquilo justamente por Isabela, a mulher que ela sempre mais desprezou.
Taís também começou a chorar.
— A Isabela disse que a família Pereira não sustenta ninguém de graça. Se a gente quiser comer um mísero pedaço de pão aqui dentro, vai ter de trocar por trabalho.
Ela engoliu em seco antes de continuar:
— E ela também bloqueou todos os nossos gastos lá fora. Hotel, restaurante... Até pagamento por celular, tudo foi restringido.
Em outras palavras, se quisessem pôr alguma coisa no estômago, teriam de obedecer a Isabela.
Cristiano respirou fundo, o maxilar travado pela raiva.
— Nada mais funciona?
— Não.
Taís respondeu com um aceno.
Bruna nunca foi de chorar à toa, mas, naquele momento, não conseguia parar de enxugar as lágrimas.
Quando uma mãe se mostrava frágil diante do filho, era o coração dele que mais sofria.
Mesmo que Cristiano nunca concordasse com muita coisa que Bruna dizia, ao vê-la se desmontar diante dele, toda a fúria que sentia por Isabela explodiu de vez.
Tomado pela raiva, ele subiu as escadas e foi direto atrás de Isabela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...