A paciência de Lílian também tinha se esgotado.
Que esperassem. Quando a mãe voltasse do país Y, ela acertaria as contas com cada uma delas.
Só agora ela via tudo com clareza.
Quando a vida de Bruna desandava, Bruna também não fazia o menor esforço para tratá-la com um pingo de decência.
Lílian ainda estava se recuperando do parto. E, no fim das contas, os gêmeos que tinha dado à luz, um menino e uma menina, também eram herdeiros da família Pereira. Mesmo assim, ninguém cuidou dela como deveria naquele período. E agora ainda agiam como se estivessem cobertas de razão? Tinham mesmo a cara de pau de ficar emburradas com ela?
Karine foi direto para a mansão da família Pereira.
Tirou várias sacolas do carro e entrou carregada.
Isabela estava experimentando a pulseira de diamantes vermelhos que Wallace mandara entregar. Quando viu Karine daquele jeito, ergueu os olhos.
— O que aconteceu? Você veio até aqui e ainda trouxe isso tudo?
Karine respondeu na hora:
— Foi o Sérgio que mandou.
Isabela ficou calada por um instante.
Sérgio?
Nos últimos dois dias, ela nem sequer tinha saído de casa. Antes, ele tinha comentado que a levaria para comer algo gostoso, mas Isabela decidiu ficar. A melhor maneira de infernizar a vida da família Pereira era justamente aquela: continuar ali, instalada na casa, sem arredar o pé.
— Devem ser suplementos e tônicos. — Disse ela, com tranquilidade. — Pede para a nutricionista dar uma olhada e preparar tudo direitinho para você.
Karine entregou tudo a Wallace, que repassou as sacolas aos empregados.
Eles levaram tudo imediatamente para a cozinha.
Naquele momento, Isabela tomava o lanche da tarde. Serviram uma xícara para Karine também. Assim que sentiu o aroma, ela estalou a língua.
— Nossa... Isso aqui é forte mesmo.
Só pelo cheiro já dava para imaginar o quanto aquilo era reforçado.
Mas, no estado em que Isabela estava, ela realmente precisava se recuperar bem.
Isabela espetou um pedaço de fruta assada com o garfo e estendeu para Karine, que pegou e colocou na boca sem cerimônia.
Em seguida, virou-se para ela.
— No caminho para cá, vi aquelas três andando na rua. O que foi aquilo?
Isabela tomou um gole de café, serena.
— A casa precisa cortar gastos. Carro gasta gasolina demais. Então ninguém vai sair por aí usando à toa.
Karine ficou sem reação.
Arregalou os olhos, boquiaberta. No instante seguinte, porém, abriu um sorriso satisfeito.
— Você foi genial.
Podia parecer uma coisinha sem importância.
Mas eram justamente esses pequenos incômodos que mais atormentavam gente acostumada ao conforto e a ter tudo nas mãos.
— Você precisava ver a cara delas. Pareciam três viúvas amarguradas.
— Quando eu voltar para o país Y, isso tudo acaba.
De qualquer forma, ela não ficaria muito tempo em Nova Aurora.
Além disso, a maneira como Sérgio a tratava agora... Isabela podia muito bem interpretar aquilo como consideração por causa de Yari, seu irmão.
— Ele cuida de mim por causa do meu irmão.
Karine soltou um muxoxo.
— Ah, isso aí a gente sabe muito bem como funciona.
Isabela não respondeu.
Só ficou em silêncio.
Karine ergueu o copo de suco à sua frente e tomou um gole.
— Você ainda tem a vida inteira pela frente.
— Eu me casei com o Cristiano. Até engravidei dele. Eu...
Dessa vez, Isabela não conseguiu ir adiante.
Por mais implacável que parecesse sempre que se chocava com a família Pereira, havia feridas que ela ainda não era capaz de encarar de frente.
Karine a encarou com firmeza.
— Nesta vida, tropeço acontece o tempo todo. Quem ama você de verdade não vai se importar se é o primeiro casamento, o segundo ou o terceiro. Não deixa um desgraçado desses virar a régua da sua vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...