Que história era aquela de cortar gastos desnecessários?
O carro era da família Pereira. O que aquilo tinha a ver com Isabela?
Se ela queria economizar, que economizasse com o que era dela. Desde quando tinha o direito de meter a mão até no carro que elas usavam?
O empregado ergueu o queixo e rebateu, sem o menor respeito:
— Que nada. A nossa senhorita agora é quem manda na casa da família Pereira. O rumo de uma família depende justamente de ter uma mulher que saiba administrar o lar.
Bruna ficou sem reação por um instante.
Administrar o lar?
Aquilo lá tinha cara de administração?
Aquilo era tortura, pura e simples. E ainda por cima sem o menor esforço para disfarçar.
Aquela desgraçada...
— Dona da casa uma ova. Eu ainda estou viva. E, mesmo que não estivesse, ainda existe a cunhada dela. E ela já quer mandar na família Pereira desse jeito?
Ao ver alguns empregados entrando no carro, Bruna gritou, transtornada.
O empregado, porém, apenas lhe lançou um olhar de desdém.
— Se a nossa senhorita pode ou não mandar na família Pereira, a senhora já teve tempo de sobra para entender nesses últimos dois dias.
Assim que terminou de falar, o carro arrancou e foi embora.
Tinham dito que era para cortar gastos desnecessários e, por isso, as tiraram do carro no meio da estrada.
Mas os próprios empregados levaram o veículo de volta, dirigindo.
Que tipo de economia era aquela, afinal?
Bruna cambaleou de tanta raiva.
— Essa desgraçada... Essa desgraçada fez isso de propósito. Fez só para torturar a gente. — A voz saiu trêmula, quase embargada. — O que foi que eu fiz de tão imperdoável contra essa mulher, para ela me tratar desse jeito agora?
Naquele instante, Bruna estava tão consumida pela raiva que sentia o coração quase parar.
Taís também fervia de ódio. Seus olhos já estavam vermelhos.
Lílian, por sua vez, tremia da cabeça aos pés.
— Taís, você tem que tirar o Sérgio da Isabela de qualquer jeito.
Sérgio.
Elas precisavam arrancar dela aquele apoio.
A Isabela de agora estava arrogante demais. Insuportavelmente arrogante.
E toda aquela ousadia não vinha justamente do fato de ter Sérgio por trás dela?
Taís ficou em silêncio.
Só de ouvir de novo que precisava conquistar Sérgio, sentiu o peito apertar.
Para dizer a verdade... Depois do que tinha acontecido na empresa Cardoso, ela tinha ficado até com certo trauma dele.
Nunca passara por tamanha humilhação na vida.
Naquele dia, Sérgio não lhe deixara o mínimo de dignidade. E agora, só de imaginar ter de aparecer de novo na frente dele, sentia a vergonha se espalhar pelo corpo inteiro.
Por acaso Isabela parecia alguém disposta a aceitar, obediente, o papel de nora da família Pereira?
Ela se recusava a se divorciar de Cristiano justamente para se vingar delas.
Nora?
Com aquela postura?
— Pois é, mãe. A senhora vai mesmo deixar ela fazer o que quer com a sua cara? — Disse Lílian.
Havia um desagrado evidente em sua voz.
Aquela velha...
Antes, quando se tratava de lidar com Isabela, não era cheia de artimanhas?
Por que agora tinha ficado tão inútil?
Ao ver que até Lílian estava falando daquele jeito, Bruna se irritou ainda mais.
Ela não queria dar uma lição em Isabela?
Queria mais do que qualquer outra pessoa.
Mas Isabela tinha voltado cercada de gente.
Se Bruna soltasse uma única palavra contra ela, Isabela mandava alguém lhe dar um tapa na cara no mesmo instante.
Sempre que se lembrava daqueles empregados batendo nela sem o menor receio, até na frente de Cristiano, Bruna quase explodia de ódio.
— Calem a boca, vocês duas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...