Naquele momento, Cristiano já tinha perdido a paciência de vez.
Os problemas da empresa só se complicavam e, com a casa mergulhada naquele caos, ele se sentia no limite.
Tudo o que queria era acabar com aquela confusão o mais rápido possível.
Bruna olhou para ele.
— Você vai pagar? Mas esse prejuízo vai sair todo do dinheiro da família Pereira. E o que é seu não faz parte da família Pereira?
Isabela pegou a travessa de frutas à sua frente, espetou um pedaço de maçã com o garfo e o levou à boca.
O estalo seco da mordida apertou ainda mais o coração de todos.
Principalmente o de Lílian.
Fazia mais de um dia que ela não comia nada.
Sobre a mesa, ainda havia os pratos que Isabela deixara pela metade. E, só de olhar, a sopa na sopeira parecia deliciosa.
Em outros tempos, Lílian jamais teria desejado aquilo daquela forma.
Mas a fome era assim. Quando apertava de verdade, qualquer coisa parecia apetecível.
Naquele momento, ela queria comer desesperadamente.
Ao ver que Isabela ainda tinha estômago para comer numa hora daquelas, Bruna sentiu uma raiva tão grande que parecia que as entranhas se retorciam.
— Cristiano, você acha mesmo que o problema é só a casa?
Ela apontou para Isabela.
— É ela. Desde que voltou para cá hoje, virou a casa inteira de cabeça para baixo e deixou todo mundo o dia inteiro sem comer.
Isabela rebateu na mesma hora:
— Se vocês não comeram, não joguem a culpa em mim.
Bruna, Lílian e Taís ficaram sem reação.
Ao ouvir aquilo, sentiram uma revolta sufocante subir pelo peito.
Era como se Isabela estivesse dizendo que elas só não tinham comido porque não quiseram.
Um absurdo.
Elas estavam quase enlouquecendo de fome.
— Ela tem que sair desta casa. — Bruna já não queria mais perder tempo discutindo. — Quero essa mulher fora daqui agora.
Isabela terminou de comer.
Então se levantou.
Wallace se aproximou imediatamente e, com toda a deferência, puxou a cadeira para ela.
Isabela lançou um olhar displicente para todos os presentes.
— Continuem brigando à vontade. Eu vou subir para descansar.
Assim que terminou de falar, virou-se e seguiu direto para o andar de cima.
Bruna deu dois passos atrás dela.
— Subir para quê? Quem vai sair daqui é você. Saia da minha frente.
Isabela nem sequer se virou.
Sua voz saiu fria e firme.
Aos poucos, todos foram se dispersando.
Até os empregados de Isabela saíram dali, cada um indo cuidar do que tinha para fazer.
Só que, na cozinha, os funcionários dela continuavam lá.
E ninguém da família Pereira conseguia sequer pôr os pés ali.
Bruna ficou furiosa.
— O que foi que ele quis dizer com isso?
Taís respondeu com o rosto carregado.
— Cristiano está protegendo ela. E com unhas e dentes.
— Protegendo até agora? Aquela vagabunda...
Assim que as palavras "aquela vagabunda" saíram da boca de Bruna, as duas funcionárias que trabalhavam na cozinha ergueram os olhos ao mesmo tempo e lançaram para ela um olhar glacial.
Era um olhar carregado de ameaça.
O resto da frase morreu na garganta de Bruna.
Intimidada por aqueles olhares, ela engoliu as palavras à força.
No instante seguinte, explodiu de raiva.
— E essa história de ela estar se metendo com o Sérgio? Por acaso o seu irmão não liga nem um pouco para isso?
Até então, mencionar Sérgio ainda era suportável.
Mas, no momento em que o nome dele veio à tona, a expressão de Taís também se fechou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...