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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 336

A voz de Isabela saiu afiada demais.

Bastou aquela pergunta cortante para que até Cristiano voltasse o olhar para Taís e Bruna.

Bruna se calou na mesma hora.

Isabela continuou:

— Tudo o que uma pessoa faz tem um motivo, não tem? Então me digam... Por que eu teria motivo para botar fogo nas casas de vocês?

Bruna ficou em silêncio.

Taís também.

Por quê... Disso, naturalmente, ninguém sabia melhor do que elas.

Era porque, no passado, tinham tratado Isabela mal.

Mas aquilo não tinha passado de implicância, de um jeito mesquinho de dificultar um pouco a vida dela... Será que isso bastava para despertar um ódio tão grande assim?

A ponto de ela partir com tudo para cima delas?

E agora, além de tudo, ainda destruir uma parte enorme do patrimônio da família?

O clima ficou cada vez mais gelado.

Cristiano arqueou uma sobrancelha.

— Pois é. Por que ela teria motivo para incendiar as casas de vocês?

A voz dele era leve, quase casual. Ainda assim, carregava uma pressão tão pesada que parecia esmagar o ar.

Bruna estava tão furiosa que respirava de forma descompassada.

Taís também não ousou abrir a boca.

Quando Isabela já ia responder por elas, Lílian, que até então permanecera em silêncio, finalmente falou:

— Foi por minha causa.

Bruna e Taís ficaram sem reação.

As duas se viraram ao mesmo tempo para olhar para Lílian.

Os olhos frios de Cristiano também pousaram nela.

Mas Lílian só encarava Isabela.

— Você ficou incomodada com o fato de o Cris cuidar de mim. Não foi por isso que você vem fazendo escândalo esse tempo todo? A culpa é minha. Eu decepcionei todo mundo. Desde que o Mar morreu, minha cabeça nunca mais voltou ao lugar. O tempo todo, eu acabo confundindo o Cris com o Mar. No fim, a culpa de tudo isso é minha.

Lílian puxou toda a culpa para si, sem deixar escapar nada.

Isabela sorriu.

Falsa era falsa. Na hora decisiva, esse tipo de mulher sempre adorava bancar a culpada.

Aquele ar de coitadinha, aquela fragilidade cuidadosamente calculada, era muito mais perigoso do que a postura de uma mulher realmente forte.

E também... Muito mais nojento.

Isabela disparou:

Até a força com que Cristiano segurava o cigarro entre os dedos aumentou no exato instante em que o tapa estalou.

Com a mão trêmula, Bruna apontou para Isabela.

— Você...

— A família Pereira é a família mais poderosa de Nova Aurora. É uma família tradicional, da alta sociedade. Aqui, existem regras.

Sem dar a Bruna a chance de continuar xingando, Isabela a interrompeu num tom distraído, quase preguiçoso.

E o mais cruel era que aquelas palavras que agora saíam da boca dela tinham sido ditas por Bruna antes.

Exatamente aquelas palavras.

Bruna ouviu a frase tão familiar naquele mesmo tom, igualmente familiar.

Tanto as palavras quanto a entonação eram as mesmas que, um dia, ela usara contra Isabela.

Naquela época, Isabela era só uma garota vinda de um orfanato.

Então, quando Bruna dizia aquelas coisas, tudo parecia natural, até justificável.

Mas agora Isabela ousava devolver tudo, palavra por palavra, do mesmo jeito?

Desde que entrara para a família Pereira, ela não deveria simplesmente obedecer às regras da família Pereira?

Com que direito dizia aquilo agora? Em que posição se colocava para falar daquele jeito com ela?

Bruna ficou tão furiosa que sua visão começou a escurecer.

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