( POV/ SKY))
Acenei e fiquei ali, observando aquele mar de testosterona e suor. No fundo, eu torcia para que estourasse uma briga generalizada; seria reconfortante ver alguém saindo com a cara quebrada além de mim.
— Amiga! — O Alex surgiu do nada, com um sorriso que ocupava o rosto inteiro. — Você tinha que ver! A Sofia desabou no chão da igreja, parecia uma poça de luto falsa, uma poça de pêssego estragado! E o Paulo Gouveia? A veia do pescoço dele parecia uma mangueira de jardim prestes a estourar! O vídeo rodou três vezes. O padre chorou, Sky! Foi o caos mais lindo da história de Porto Alegre!
Soltei uma risada que virou uma tosse seca, queimando meus pulmões. O Alex já estava com o celular na minha cara, os dedos voando na tela para me mostrar os frames da destruição.
— Que lugar animado, hein? Quanta testosterona concentrada — comentou ele, fazendo uma varredura visual no salão.
— Eu também pensei que encontraria só coroas desesperadas e música do Barry White aqui — resmunguei.
— GOOOOL! — Gritaram de novo. Merda de jogo. Tinha que ser logo no dia em que a minha vida decidiu virar um roteiro de tragédia grega pichada.
— Vai, amiga, escolhe um — o Alex disse, apontando com o queixo para os homens que circulavam.
— Eu não. Nem pensar.
— Você precisa se distrair. Beba essa garrafa e eu aposto que vai até esquecer esse ranço que você tem de toques humanos.
Eu não sou fã de toques. Minha experiência com homens era quase nula; beijei dois caras na vida e precisei de seis meses de conversa para deixar o Victor encostar em algumas partes do meu corpo. A ideia de um estranho me tocando sem esse "projeto aprovado" me dava calafrios.
— Não tenho dinheiro para isso, mesmo se eu achasse alguém que não parecesse um figurante de filme pornô dos anos 80 — murmurei.
Tinha um loiro de cowboy que era bonito, mas exalava vulgaridade. Outro vestido de policial gato, e um que... meu Deus, o de faxineiro com babadinhos. Eu não conseguiria olhar para ele sem ter uma convulsão de riso. Do outro lado, alguns "boys" atendiam coroas que seguravam bolsas que valiam mais que o meu closet inteiro.
— E aí, já se decidiu? — Alex insistiu.
— Não. Mas será que não tem um catálogo com especificações técnicas? — perguntei e virei metade da garrafa, engasgando logo em seguida. — Além do mais, eu não tenho dinheiro para investir em "equipamento" agora.
— Escuta, Sky — o Alex ficou sério, apoiando-se no balcão. — O Gouveia me paga muito para aguentar os caprichos daquele mauricinho. Eu guardei dinheiro para uma emergência. E isso aqui é uma emergência nível global. Faz igual ele fez com a Sofia. Transa com alguém. Sexo casual, sem contrato, sem planta baixa, sem nada.
Eu ri, imaginando a cena. Dei mais um gole. O álcool estava começando a deixar as bordas do mundo mais suaves.
— Amigo, eu não sei fazer isso. Nem sei por onde começar. Eu mal sei dar "oi" sem gaguejar para um cara normal, imagina para um profissional do prazer.
— É simples: abre as pernas e pronto. O resto o cara resolve, ele é pago para isso.
Bati a cabeça na mesa. Eu era uma decepção completa.
— Mas relaxa, amiga. Se não der certo aqui, eu te levo no Ambrósia Club.
— E onde é isso? — perguntei, sem levantar o rosto da madeira. — É algum lugar onde as pessoas não precisam pagar para ter um boy?
Ele gargalhou alto, chamando a atenção de um "bombeiro" que passava com uma bandeja.
— Ai, amiga! Você não sabe de nada mesmo. O Ambrósia Club é aquele lugar que as meninas da pós-graduação diziam que iam... uma boate com temática BDSM e um clube VIP secreto.
— Ah! Aquele lugar onde elas iam para ser chicoteadas? — Levantei a cabeça, fazendo uma careta. — E ainda tem que pagar por isso? Nem pensar. Prefiro a minha cama e o meu mofo.
— Na verdade, Sky... lá, são eles que pagam para chicotear. E pagam muito bem.
Olhei para ele com um semblante confuso.
— E daí? Você é chicoteado e ganha dinheiro? Que lógica é essa?
— É a lógica do mercado de luxo, querida. Eles buscam experiências... e pagam fortunas por elas. Dizem que aceitam até virgens para leilões exclusivos.
— Serio? Você já foi lá?



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Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário