( POV Sky)
O som bruto do escritório invadiu a igreja. O vídeo do Victor com a Sofia surgiu no telão, e os gemidos dela ecoaram pelas paredes sagradas, sobrepondo-se à marcha nupcial. O horror foi instantâneo. O prefeito se engasgou com o próprio riso, e Dona Eliana soltou um grito abafado, levando as mãos ao rosto. O burburinho começou: sussurros indignados e o som metálico de centenas de câmeras disparando freneticamente.
— Parem o vídeo! Parem essa merda agora! — Victor gaguejou, girando o corpo, procurando desesperado o culpado na cabine técnica.
Bati palmas, lenta e firmemente, olhando primeiro para ele e depois para a Sofia. Todos os olhares da igreja estavam em mim. É sempre assim: o homem suja o altar e os holofotes caem na mulher, esperando a nossa reação, como se a culpa fosse nossa.
— Amor, eu posso explicar! Foi um erro, uma fraqueza, eu juro! — Victor tentou segurar meu braço, os olhos esbugalhados.
— Não precisa explicar nada. Peço desculpas pelo constrangimento a todos os presentes — respondi com uma calma que me assustava, sentindo o suor frio escorrer pelo pescoço.
— Amiga, me escuta... foi um erro — Sofia tentou me tocar, as mãos trêmulas, mas eu bati no braço dela com tanta força que o estalo ecoou.
— Victor, eu não vou me casar com você. O motivo está bem ali, em alta definição.
Peguei o buquê de rosas pretas e o joguei com força contra o peito da Sofia. Os espinhos riscaram a seda pêssego do vestido dela, e senti um prazer sombrio ao ver o susto no rosto daquela hipócrita de merda.
— Você era minha melhor amiga.
Arranquei a aliança e a arremessei no rosto do Victor. O Paulo Gouveia caminhou rápido na nossa direção. Ele não parecia surpreso com o vídeo; ele estava furioso com a cena.
— Você está louca, Sky? Tinha que nos envergonhar na frente de todo mundo? — Ele rosnou baixo, antes de virar para o próprio filho: — Eu falei para você terminar com isso antes, Victor!
O sangue fugiu do meu rosto. A náusea voltou com força total.
— Você sabia?
— Isso não vem ao caso agora! Como vocês pretendem trabalhar no mesmo escritório depois disso? — Paulo gritou, a preocupação dele era puramente financeira.
— Ótimo. Eu não volto para lá. Nunca mais.
— A gente precisa de você, garota! Não seja infantil, negócios são negócios.
— Eu precisava de vocês! E ele me traiu com ela!
— Deslizes acontecem, Sky. A gente conversa em casa e resolve tudo em família — Dona Eliana interveio, com aquela voz mansa que agora me enojava.
— Até você, Eliana? — perguntei, olhando no fundo dos olhos da mulher que me acolheu. Ela não respondeu. Apenas desviou o olhar para o altar.
Ela também sabia. Todos sabiam. O "corno é o último a saber" nunca foi uma frase tão real e tão maldita. Eles começaram a me rodear, me encurralando no altar como se eu fosse o problema a ser contornado. O cheiro de incenso misturado ao perfume do Victor me sufocava.
— Se acalmem! A casa do Senhor não é lugar para isso! — o padre tentava intervir, mas era ignorado.
Comecei a me afastar, sentindo o ódio me empurrar para fora daquela podridão. — Você não vai ser nada sem mim, Sky! — Paulo rugiu atrás de mim.
— É bom você arrumar um prédio novo para sua empresa, Paulo — respondi sem olhar para trás.
— Não é assim que funciona! Aquela sede está no nome do seu pai e eu sou o administrador legal!
Ignorei o rugido dele. O padre tentou me segurar pelo braço enquanto eu passava por ele.
— Calma, minha filha, respeite o matrimônio sagrado...
— Vá à merda, Padre — disparei, puxando o braço com força e deixando o homem de batina boquiaberto.
Saí da igreja bufando, o véu preto voando atrás de mim como uma capa de vilã. Encontrei a Moon na escadaria, pálida, Alex chegou logo atrás, ofegante.
— Você está bem, Sky? — ela perguntou, a voz trêmula.
— Amiga você está bem? — Foi a vez do Alex perguntar.
— Eu juro que se alguém me perguntar mais uma vez se estou bem, eu vou me matar.
— O que quer fazer, então?
— Beber, Moon. Em um lugar onde ninguém me ache e nem me conheça.


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