Diante do choque de Adolph, Christina respondeu: "Sr. Santos, mesmo que você entenda tudo, por favor, não deixe suas palavras fluírem assim."
Tinha sido realmente pintado por ela!
Que outras habilidades ela tinha que ele não conhecia?
Sob o olhar calmo de Christina, Adolph reprimiu toda a surpresa e dúvida. Essa mulher havia escondido tudo dele. E se ele mostrasse sua descrença novamente, pareceria ignorante e seria desprezado por ela.
Se fosse apenas pela pintura, tudo bem, não haveria por que esconder a informação de terceiros. Mas, na verdade, era a sua capacidade de discrição, quanto mais discreto, melhor.
Vendo que Adolph estava cheio de dúvidas, ela olhou para a pintura e não conseguiu soltá-la, como se estivesse com medo de que ela rachasse. Sua expressão era bastante engraçada.
Christina tomou a iniciativa de explicar a ele: "Esta pintura foi feita quando eu era criança. Para ser honesta, não exatamente uma criança, mas quando eu tinha uns 14 ou 15 anos. Eu tinha ido a uma exposição de arte com o meu pai e vi essa pintura. Naquela época, eu gostava muito do poema desse poeta e achava que a vida era muito heróica, que não importava o tamanho da tempestade, eu nunca precisaria ter medo. Achava que poderia viver toda a vida na chuva."
"Você tinha 14 ou 15 anos quando foi sequestrada?"
Adolph assumiu a conversa e de repente percebeu que ele e Christina haviam testemunhado o período mais difícil da vida um do outro.
O destino, às vezes era uma coisa maravilhosa e incrível.
"Sim", Christina assentiu.
Adolph mirou a pintura, ainda incrédulo. "Você conseguiu pintar desse jeito só dando uma olhada no quadro?"
"Claro que não. Você acha que eu sou um deusa?"
Christina ficou um pouco sem palavras. Mesmo que tivesse memória fotográfica, era impossível que se lembrasse de todos os detalhes. "Meu pai gostava muito deste quadro, e ele até queria comprá-lo, mas o antigo curador se recusou a vendê-lo. Porém, ele acabou concordando em emprestá-lo para meu pai por três dias. E por ter visto o quanto ele gostava dessa obra, simplesmente fiz uma cópia para ele... Naquela época, eu não sabia que minhas habilidades eram tão boas. Também era muito jovem para entender o que aquele poema estava tentando expressar. Eu só queria agradar o meu pai, basicamente. E ele gostou tanto, que o manteve pendurado em seu escritório."
Adolph a ouviu descrevendo a situação como se fosse algo superficial e de repente entendeu o que “Versalhes” significava.
"É tão despretensioso da sua parte conseguir desenhar uma imagem tão vívida com apenas algumas ferramentas básicas."
Christina balançou a cabeça devagar. “Isso só pode significar que você ainda é um amador neste ramo. O amador vê a diversão, enquanto o perito guarda a porta. Se o meu mestre vir essa pintura, certamente me reprenderá por arruinar sua reputação. Entretanto, como uma discípula inútil, minhas mãos foram arruinadas. Não importa o quanto eu tente, estarei fadada ao fracasso."
Adolph franziu a testa. "Você quer dizer os calos da sua mão?"
Christina permaneceu em silêncio.
A falsificação não era feita simplesmente através do desenho, as diferenças só seriam notadas com um toque delicado. No entanto, seus dedos já estavam cheios de calos grossos, então ela não tinha mais a habilidade de tocar e sentir os objetos. Como a obra que ela havia pintado ainda pode ser confundida com o quadro autêntico?
Depois de saber a verdadeira identidade de Christina, Adolph se perguntara como ela tinha conseguido os calos.
Afinal, a filha mais velha da família Granger seria mimada desde criança, ela não trabalharia o dia todo como agricultora. Como ela tinha ganhado aqueles calos nas mãos?
Adolph estava prestes a perguntar quando o garçom trouxe os pratos, então ele guardou a pintura e suprimiu a curiosidade por ora.


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