"Quê?"
Gabriel ficou surpreso, e sua primeira reação foi perguntar: "A esposa é sua, e o senhor está perguntando para mim?"
Mas Adolph estava falando sério, então o assistente parou para pensar. "Ela é nova, tem só uns... vinte e quatro, vinte e cinco anos."
As pupilas de Adolph contraíram.
Se Christina tinha vinte e quatro anos, há dez anos, tinha catorze!
Seria possível que ela fosse a garota sequestrada?
Adolph ficou em choque. Sentiu como se tivesse sido atingido por um raio. O coração acelerado batia nos ouvidos, e uma onda de memórias muito antigas tomou conta dele.
Ele respirou fundo e ligou para Hyman. Assim que o amigo atendeu, perguntou: "Você se lembra da nossa missão secreta dez anos atrás na selva?"
Hyman tinha acabado de chegar à Cidade R e estava no escritório discutindo assuntos relacionados ao estábulo com o mestre Roger. Quando ouviu isso, ficou assustado.
Depois de pensar um pouco, disse: "Você está falando da missão para resgatar aquela menina sequestrada?"
"Dessa mesmo."
Com um olhar sombrio e a boca seca, Adolph olhou para as informações. "Você lembra como essa garota era?"
"Já faz tanto tempo, como posso lembrar?"
Hyman se esforçou para voltar ao passado. "Só lembro que a menina tinha catorze anos e que a identidade dela e da família foi mantida em segredo. Além disso, era uma missão nível três. Nossa, fiquei com tanto medo naquela época que achei que não fosse sair vivo. Mas é que tinha sido realmente perigoso; eu não imaginava que seria tão difícil de lidar com a outra parte. A gente se separou, e você adentrou mais fundo na selva para salvar a menina, não foi?"
Mesmo depois de tanto tempo, aqueles dias sangrentos ainda o deixavam empolgado e nostálgico.
"Mas por que a pergunta do nada?"
O amigo estava confuso.
Enquanto ele falava, Adolph tinha se levantado em silêncio e caminhado até a janela.
Ele também se lembrava do quanto aquilo tinha sido difícil — não a tarefa em si, mas o adversário. Eram todos mercenários de fama internacional, não imaginou por que sequestrarem uma garotinha.
Dez pessoas foram enviadas, incluindo ele e Hyman.
Naquela época, não eram velhos, tinham apenas vinte anos, então não tinham medo de nada.
A equipe se separou e abriu caminho para que ele pudesse resgatar a menina.
De acordo com seus cálculos, era impossível vencer quem estava do outro lado, mas não havia escolha a não ser lutar até a morte. Não esperava que, ao entrar, a garota já tivesse matado um homem de preto com uma faca.
Ela tinha ficado amarrada por vinte e um dias e quase sido levada para o extremo sudeste asiático. Estava magra como um palito, com as roupas rasgadas, e o corpo sujo coberto de hematomas e manchas de sangue.
Mas, para alguém tão magro e fraco, ela era bem rápida e ágil. Cortou o pescoço do homem num piscar de olhos, deixando um rastro de sangue atrás de si.
Ela conseguiu perceber que ele tinha ido salvá-la, então a primeira coisa que disse foi: "Me dê uma arma".
E, assim, os dois lutaram lado a lado e exterminaram o inimigo com êxito.
Ele nunca tinha visto uma menina lutar com tanta bravura e precisão. No entanto, quando a elogiou, ela caiu em seus braços, de repente se tornando delicada como uma flor.
Então, ele a carregou para fora do lugar. Ela era leve como uma pluma e, com um sorriso no rosto, perguntou o nome dele. Disse que iria procurá-lo para retribuir a gentileza quando crescesse.
"Meu nome é Adolph Santos. Não precisa retribuir gentileza nenhuma; apenas se cuide."
Sob o sol da floresta densa, seus lindos olhos amendoados brilhavam.
Adolph ficou em transe por um bom tempo. Quando foi trazido de volta à realidade por Hyman, suas pálpebras tremeram. Ele ergueu a cabeça e disse: "E se eu se disser que essa garota era a Christina..."


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