"Cabrum!"
Um raio cruzou o céu escuro, como se tivesse atingido Emily. A já instável coroa de diamantes caiu de sua cabeça.
A chuva que ameaçava cair desde a manhã chegou e dispersou a multidão. Apenas Emily estava no telhado, sem se mover, olhando com desespero para a figura distante de Adolph.
Antes, ela tinha um homem que a abrigaria do vento e da chuva sem importar o quê, mas ele não faria mais isso.
Foi só então que ela percebeu o erro de ter terminado com ele naquela época, e teve ainda mais certeza de que tinha finalmente pagado o preço pela forma como agiu nos três anos em que esteve no exterior.
......
Um casamento que tinha quase virado piada terminou sob chuva forte.
Apesar de os convidados não terem presenciado uma cerimônia romântica, tinham assistido a um bom show. A viagem tinha valido o tempo e o dinheiro gastos.
A família Santos não se sentiu envergonhada; não viam a hora de o casamento acabar. Bastava Adolph não se casar com Emily para que comemorassem como se fosse Natal. Quem se importava com as fofocas? Em todo caso, as pessoas não teriam coragem de rir deles.
Melhor ainda era que Christina estava de volta. Era algo com que se alegrar.
A família Casa, por outro lado, não estava mais calma.
Devido à série de acontecimentos no casamento, Emily tornou se uma piada. A Família Casa tinham se tornado motivo de chacota das famílias ricas e poderosas da Cidade N. Tinham perdido toda a dignidade!
"Que ridículo! A nossa família é uma família instruída. Como a gente criou uma filha que nem você? Como vai conseguir sair de casa depois dessa humilhação?"
O Sr. Casa estava tão bravo que não parava de andar de um lado para o outro com as mãos nas costas. Ele apontou para a filha e a repreendeu duramente. Os óculos dourados chegaram até a tremer em seu nariz.
Emily estava sentada na cama, chorando e chorando. Ela ainda usava o vestido de noiva, mas ele agora estava sujo e com uma mancha grande na barra. Era como se, aos olhos de Adolph, ela fosse uma folha em branco que acabou tornando para um jornal publicado.
"Chega, já chega de falação. Nem é culpa dela mesmo." A Sra. Casa tentou persuadir o marido.
O Sr. Casa grunhiu com frieza e disse: "Você é tão inútil! A culpa é toda sua! Eu não devia ter te ouvido. A gente gastou um monte de dinheiro para criar ela, mas, no fim, não consegue nem fazer parte de uma família rica. Foi tudo jogado no lixo!"
A Sra. Casa perdeu a cabeça quando ouviu aquilo. "Nossa, agora a culpa é minha que você mimou ela? É tudo coisa da sua irmã querida que vive falando de entrar para uma família rica e poderosa. A Laura acabou com a nossa família!"
"Chega!"
Emily gritou e cobriu as orelhas. "Eu já estou me sentindo mal o suficiente. Vocês podem dar um tempo?"
Seu pai ia dizer algo quando o telefone tocou. Era Laura.
"É a sua tia!"
O Sr. Casa conversou brevemente com a irmã e, então, passou o aparelho para a filha, que soluçou e chamou pela tia. Em seguida, ela ouviu uma voz preguiçosa e fria vinda do outro lado da linha. "Está chorando por quê? Um contratempo de nada te desmorona desse jeito? Já quer desistir?"
"O que eu posso fazer?", disse Emily, nervosa. "Ele me acusou de mentir. Disse que eu era mau-caráter e me rejeitou."
"Não importa o quanto uma mulher seja mau-caráter, um homem sempre vai ser pior", disse Laura com desdém. "Enfim, enquanto você tiver ele na palma da mão, não tem por que ele não te querer".
"Tia, como eu faço?" Emily estava completamente perdida. O homem que podia ser controlado com um estalar de dedos estava ficando cada vez mais fora de seu controle.
"Não se preocupe, o Adolph deve estar bravo agora. Quando ele acalmar, você explica tudo. E parece que a gente subestimou a ex-mulher dele. Não se preocupe, eu vou me vingar hoje!"

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