Adolph chegou para o apartamento e encontrou Emily ajoelhada no chão, cobrindo o rosto com as mãos e chorando.
"Emily."
Foi como se ela tivesse visto seu salvador: estendeu os braços e se jogou em cima dele na mesma hora. "Adolph, me salve!"
Assim que viu que metade de seu rosto estava vermelho, a expressão dele ficou fria, e ele olhou para Athena Santos com desgosto. "Mãe, por que você não me avisou quando queria vir?"
Apesar de estar em uma cadeira de rodas, a filha mais velha dos Santos, Athena, continuava sendo uma figura imponente. Ela se comportava como uma superior, e seus olhos estreitos, semelhantes aos de Adolph, possuíam algo de cortante, como sua voz.
"Você se separou da Christina e escondeu uma amante aqui. Você me avisou quando fez isso?
Ela estava usando um cheongsam, e um cobertor fino com um bordado colorido e requintado cobria suas pernas. Tinha sido feito por Christina, assim como o manto sobre seus ombros.
Quando ela levantou a mão, Linda, que estava atrás dela, imediatamente entendeu e acendeu um cigarro para ela.
Adolph franziu a testa. "A Emily não está bem de saúde. Não fume perto dela."
"É mesmo?"
Athena soltou fumaça pela boca e deu uma olhada na mesa de centro. "Ela tem câncer de estômago, mas passa muito tempo tomando café. Isso não parece muito "saudável" para mim. E por falar nisso, a Christina tinha câncer de pâncreas, mas eu nunca vi você demonstrar um pingo de preocupação."
De novo, Christina Silva.
Os olhos de Adolph escureceram quando disse friamente: "Christina e eu já nos divorciamos. Não tem por que falar dela."
Athena olhou para a expressão fria do filho, e o canto de seus lábios se curvaram em um sorriso irônico. "Olhe só para você, como é cruel. Está igualzinho ao seu pai. Se eu soubesse que meu filho faria parte da escória, não teria tido um."
Com a menção a seu pai, Adolph franziu os lábios finos e ficou ainda mais irritado.
"Se você não quer falar da Christina, então vamos falar da mulher que está do seu lado."
Athena deu uma tragada no cigarro e olhou com repulsa para a mulher que não parava de chorar nos braços de Adolph. "Chega! Para quê fingir na minha frente? Em vez de aprender alguma coisa boa, você aprende a seduzir homens, igual a sua tia sem-vergonha. Você não acabou de usar essa sua língua afiada para me enfrentar? Por que não quer falar nada agora? Está esperando o seu homem te defender? Não se esqueça de que ele é meu filho."
Ódio fervia dentro de Emily, mas ela mordeu os lábios e preferiu não se arriscar. Com os olhos embaçados, saiu dos braços de Adolph e se jogou de joelhos no chão, implorando a Athena.
"Senhora Santos, eu sei que você me odeia por causa da briga que tem com a minha tia, mas ela e o Sr. Lambert se amavam de verdade, igual eu e o Adolph. A gente se ama há tanto tempo. Se não fosse pelo acidente, e se você... não tivesse proibido o nosso relacionamento, eu não teria ido para o exterior, quem dirá ter terminado com ele. A gente já teria se casado há muito tempo, e talvez você até teria um neto a essa altura..."
"Ah, por favor, vamos parar de sonhar acordada?"
Não aguentando mais aquela baboseira, Athena interrompeu Emily, apática: "Deixe eu te dizer uma coisa: mesmo se todas as mulheres do mundo morrerem, eu prefiro deixar meu filho sozinho do que permitir que ele case com você. Entendeu?"
Emily xingou internamente: "Mas que droga, sua bruxa!"
Cerrando os dentes, Emily teve um vontade de avançar e virar a cadeira de rodas. Se não fosse por suas táticas agressivas, a família Casa não teria falido, e ela não teria sofrido tudo o que sofreu no exterior!
Era tudo culpa dessa mulher. Emily queria esfolá-la de tanta raiva.
Adolph estendeu a mão, ajudou Emily a se levantar e, ficando na frente dela, encarou o olhar frio da mãe. "Mãe, eu decido com quem eu caso, não precisa se preocupar. Walt, leve ela até a porta."
Walt, que estava quieto em um canto, tentando passar despercebido, se preparou e foi pedir a Athena que saísse.
"Nossa, você realmente tem opiniões próprias. Tem até a coragem de começar a me botar para fora. Impressionante, vou ter que te deixar ganhar dessa vez."
Athena bateu palmas e disse com desdém: "Filho, seu pai me traiu e me fez perder as pernas. Se você casar com ela, vou eu te dar um "presente maravilhoso" no dia do seu casamento. Se você não acredita, espere para ver."
Olhando para a figura determinada da mãe indo embora, Adolph cerrou os punhos com tanta força ao lado do corpo que os nós de seus dedos ficaram brancos. Em seguida, ele socou a parede com força, fazendo com que o reboco caísse.


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