No canto mais discreto de um plano fechado, Sabrina viu Stella Xavier espremida fora da multidão, segurando a bolsa com força, solitária.
Aparentemente, a mulher se arrumara com esmero: usava um vestido tubinho com os ombros à mostra, revelando suas longas e alvas pernas, e a maquiagem impecável realçava seus traços.
Ela cerrava os punhos na alça da bolsa e mordia o lábio inferior, fuzilando o belo casal no centro da confusão com um olhar de rancor.
Antônio tinha voltado direto para a empresa após pousar do avião. Não era à toa que seu semblante parecia fechado; Sabrina até havia pensado que Stella a tinha aborrecido no aeroporto, planejando uma desculpa, caso ele a questionasse sobre aquilo.
Escritório da presidência.
Antônio atirou o jornal na mesa, com o cenho franzido:
— Você não disse que havia resolvido tudo? Diga-me, o que significa isso?
Cael estava em pé diante da mesa, lançando um olhar de relance para a manchete garrafal. Abaixou a cabeça, constrangido:
— Sr. Jordão, a culpa é minha.
Antônio recostou-se na cadeira, apoiando a testa na mão. Após um instante de silêncio, declarou:
— Não quero mais ver esse Diário das Estrelas pela frente.
Cael soltou um suspiro abafado e assentiu:
— Cuidarei disso.
Antônio estivera em viagem de negócios por mais de uma semana, e havia uma montanha de documentos aguardando sua análise. Flávia Mendes conhecia o gênio do patrão muito bem; sabia que ele estava furioso e que ninguém se atreveria a aborrecê-lo agora, por mais urgente que fosse o assunto.
Ela entregou a papelada que precisava de assinatura para Sabrina:
— Estes documentos precisam ser assinados pelo Sr. Jordão. É muito urgente.
Sabrina, longe de ser ingênua, notara o clima tenso no departamento de secretariado. Todos agiam de forma contida e trabalhavam com o dobro da atenção habitual.

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