Durante a semana em que Antônio esteve viajando, Sabrina ligou para ele todas as noites. Como ele era sempre um homem de poucas palavras, ela falava a maior parte do tempo, enquanto ele ouvia em silêncio e respondia com um suave "hum" sempre que ela terminava uma frase.
Era uma sensação muito peculiar. Embora nenhum dos dois amasse o outro, aquela interação íntima lhes trazia uma estranha paz de espírito.
Sabrina estava de pé perto da janela, observando as estrelas brilhantes no céu, com a brisa noturna agitando suavemente as cortinas.
Com uma das mãos, mexia no lírio branco que repousava no parapeito da janela e, com a direita, segurava o celular perto do ouvido, sentindo-se muito animada:
— A lua está muito bonita hoje. Você consegue vê-la?
Do outro lado da linha, Antônio fez um momento de silêncio:
— Nos Estados Unidos agora é dia.
Com o aviso dele, ela se deu conta de repente do fuso horário entre os dois países. Bateu de leve na testa e exclamou baixinho: "Ah!".
— Eu me esqueci... Atrapalhei o seu trabalho?
O homem riu de forma abafada, e a sua voz leve, etérea, soou nítida e melodiosa:
— Tenho uma videoconferência daqui a pouco.
— Quando você volta? — assim que as palavras deixaram a sua boca, ela percebeu bruscamente que tinha passado dos limites e apressou-se a acrescentar: — Estou com saudades.
A voz de Antônio veio morna e indiferente:
— Depois de amanhã.
Ela sugeriu, testando o terreno:
— Posso ir buscar você no aeroporto?
Ele retrucou friamente:
— Concentre-se no trabalho. Vou levar um presente para você.

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