No dia seguinte, assim que Sabrina chegou ao escritório, sentiu um clima estranho no ar.
Se fosse um dia comum, por volta das oito e quinze da manhã, os colegas estariam reunidos em rodinhas conversando sobre os passeios da noite anterior, as roupas novas que haviam comprado, ou debatendo qual confeitaria tinha os melhores doces.
No entanto, naquele dia, assim que ela chegou à sala, descobriu que todos pareciam perfeitamente acomodados em suas mesas, debruçados sobre o trabalho.
Aquele ambiente estava, no mínimo, bizarro.
Ela se dirigiu ao seu lugar e questionou a colega ao lado:
— O que aconteceu com todo mundo hoje?
A colega, que habitualmente falava pelos cotovelos, respondeu de forma contida e cautelosa. Só depois de verificar ao redor, ela murmurou:
— Você não sabe? A licitação da Imobiliária Vale Rico...
Antes que pudesse terminar a frase, Flávia caminhou na direção delas e pigarreou alto. A colega calou-se instantaneamente, fingindo focar no computador.
Mesmo a colega não tendo terminado, Sabrina absorvera as palavras-chave. Licitação da Imobiliária Vale Rico?
Ela quase se esquecera de que os resultados do leilão do terreno da Imobiliária Vale Rico deveriam ser anunciados.
Uma manhã inteira, Antônio passou em reunião. Uma única sessão prolongou-se por intermináveis três horas.
Quando Antônio saiu da sala, sua feição era assustadoramente sombria. Atrás dele, caminhava o Gerente Valentim, o responsável por acompanhar o certame.
Ao passar pelo setor das secretárias, ninguém se atreveu a levantar a cabeça. Todos fingiam absoluta imersão no trabalho, com medo de sobrarem para eles.
O Gerente Valentim entrou atrás dele no escritório presidencial. Nem um minuto depois, um bramido furioso ressoou de lá de dentro:
— Me explique, por que o resultado foi esse?
A bronca aterrorizou as pessoas no setor de secretariado. Elas se entreolharam, tremendo na base.

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