Durante os anos em que Sabrina Silva viveu sozinha na Califórnia, nunca enfrentara algo desse tipo. Diante do olhar obsceno de Renato Zarco, o fôlego travou na garganta, e um pavor profundo surgiu no fundo de seus olhos.
Enquanto isso, os demais na sala exibiam expressões de quem assiste a um espetáculo; o máximo que se poderia dizer era que a mulher, ao invadir de repente, teve muito azar.
Renato era famoso em seu círculo como um velho pervertido. Quando botava os olhos numa mulher, não descansava até consegui-la. Observando o comportamento dele naquele momento, sabia-se que não desistiria fácil.
O coração de Sabrina ardia de ansiedade. Ela rezava para que seus colegas dessem pela sua ausência prolongada e viessem procurá-la, embora soubesse, no fundo, que as chances eram quase nulas.
Quando ela saíra, o pessoal já estava totalmente eufórico. Era bem provável que, até aquele instante, ninguém sequer notara sua falta na sala.
Ela não trouxera o celular, portanto, ligar para pedir ajuda era impossível.
Ela já pensara em todas as alternativas, e, aparentemente, não havia qualquer rota de fuga.
Ela poderia entregar seu corpo a Antônio Jordão, mas não toleraria ser tocada por nenhum outro homem.
Muito menos por um homem da idade de Sérgio Silva. Ela não tinha esse tipo de fetiche estranho.
Ela acalmou suas emoções, forçando-se a manter a compostura. Encarou Renato diretamente, com olhar sereno:
— Eu sou Sabrina Silva, filha de Sérgio Silva. Aconselho você a guardar para si esses pensamentos impróprios.
Mesmo que Sérgio não gostasse dela, ela ainda era a segunda senhorita da Família Silva. Tinha o respaldo da Família Silva e da Família Guimarães. A combinação dessas duas famílias forçava muitos nos círculos de negócios a lhe concederem certa reverência.
Contudo, ela ainda era muito ingênua. Nunca se intrometera nos assuntos da Família Silva e ignorava as rixas entre Sérgio e Renato.
Cerca de meio mês antes, Renato já tinha um acordo apalavrado com a Construtora Jota-T, e fora brutalmente usurpado por Gustavo Guimarães.

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