Dona Odete, que já havia dado dois passos, parou abruptamente ao ouvir aquilo. Sem se virar, ela respondeu:
— Se a Sra. Sabrina quer saber, pode perguntar diretamente ao Sr. Antônio.
Pela reação de Dona Odete, a relação entre Antônio e Helena Jordão não era nada harmoniosa. Isso explicava por que ele havia passado o seu aniversário sozinho, sem nem sequer ter visitado a mansão principal da Família Jordão.
Ela tinha certeza de que o distanciamento não era apenas com a mãe, mas que a relação dele com o pai também deveria ser péssima.
Ela foi até o quarto, trocou as roupas por algo mais confortável e preparou uma xícara de chá. Levou-a até o escritório no andar de cima. A porta estava entreaberta. Ela bateu levemente e logo ouviu a voz grave do marido de dentro:
— Entre.
Ela entrou e viu Antônio focado no computador. Caminhou até ele, colocou o chá perto de sua mão e deu uma espiada na tela. Percebendo que ele estava lendo e-mails, comentou:
— Trabalhando tanto, até no fim de semana.
Antônio tirou os olhos do monitor, desvencilhando-se da apatia que mostrara no carro. Encarou-a com ternura e provocou:
— Você acha que é fácil ser o presidente do Grupo Zenith?
Ela acenou com a cabeça, perfeitamente de acordo:
— Faz sentido.
Antônio segurou a mão dela, que estava ligeiramente fria:
— A radiação do computador faz mal para o bebê. Vá encontrar alguma coisa para se distrair e passar o tempo.
Na mansão só estavam os três. Dona Odete fora à estufa de vidro podar as plantas. Sem ter o que fazer, ela respondeu:
— É só eu ficar um pouco longe do computador. Continue o seu trabalho, eu vou ficar aqui com você.
Antônio cedeu. Enquanto ele processava os e-mails, ela pegou um livro e sentou-se perto da janela para ler, lançando olhares furtivos ao marido focado no trabalho de tempos em tempos. Aquele momento de ócio não era de todo ruim; havia uma atmosfera serena e acolhedora no ar.

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