Todo mundo tem um passado carregado de cicatrizes, e com ela não era diferente. Por isso, com muita sensatez, decidiu se fazer de desentendida.
O silêncio recaiu sobre ambos, tornando a atmosfera no carro estranhamente tensa.
Ela ligou o rádio para tentar aliviar a tensão, mas a música que começou a tocar era melancólica. Felizmente, seu celular tocou naquele exato momento, quebrando o silêncio constrangedor.
A ligação era de Teresa Silva. Ela atendeu e disse:
— Mãe?
Teresa Silva tinha acabado de chegar em casa do funeral de Ricardo Guimarães e estava sentada numa poltrona ao lado do telefone. Ela começou perguntando como estavam as coisas entre a filha e Antônio. Com o marido ao seu lado no carro, Sabrina limitou-se a dar respostas curtas.
— Ele já te levou para conhecer a Família Jordão? — O motivo principal da ligação de Teresa era esse. Se os outros não se importavam com a filha dela, ela própria jamais permitiria que ela fosse injustiçada.
Sabrina cobriu o microfone do celular e resmungou um vacilante "Mhm". Em seguida, Teresa perguntou sobre o tratamento que Paulo Jordão e a esposa estavam lhe dando.
Com os nervos à flor da pele, morrendo de medo de que o homem ao lado ouvisse, ela escapuliu da pergunta com poucas palavras evasivas.
Teresa notou o tom gaguejante da filha. Deduzindo que não era o melhor momento para conversarem, não quis insistir e desligou o telefone.
Após encerrar a ligação, Sabrina lançou um olhar furtivo a Antônio. Não sabia se ele havia escutado o que fora dito, mas, como ele não perguntou, ela tampouco seria tola o bastante para tocar no assunto.
Até aquele momento, ele não havia mencionado levá-la à mansão da Família Jordão. E ela também não tinha pressa. Por um lado, ainda não se sentia preparada; por outro, receava não ser aceita pela família dele. Afinal, a posição de Antônio não era algo que qualquer mulher pudesse almejar com facilidade.
Ao retornarem à Enseada das Palmeiras, Antônio foi direto para o escritório. Sabrina ficou na sala assistindo à televisão. Dona Odete, sem muito o que fazer, fez-lhe companhia. As duas acabaram engatando uma conversa despretensiosa.
Ela não lembrava quem puxou o assunto, mas de repente começaram a falar sobre a infância de Antônio.
Dona Odete trabalhara na mansão principal da família por muitos anos e acompanhara o crescimento de Antônio de perto. Portanto, conhecia muito bem as histórias dele.

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