Antes mesmo de ela cruzar a soleira, Antônio a acompanhou apressadamente:
— Vou descer com você.
Os dois desceram as escadas. Sabrina foi para a cozinha ajudar Dona Odete, enquanto Antônio ficou na sala assistindo à televisão.
A campainha tocou. Antônio foi atender a porta e, ao ver a pessoa do lado de fora, cumprimentou-a com um tom monótono:
— O que a senhora faz aqui?
A mulher na porta aparentava ter mais de quarenta anos. Sua pele era perfeitamente tratada, os cabelos negros estavam presos num coque e o sobretudo verde-esmeralda que usava lhe conferia um ar de nobreza requintada.
— Vim te ver.
Antônio soltou a maçaneta da porta e caminhou até o sofá, seguido pela mulher.
Sabrina saiu da cozinha carregando uma travessa de comida. Ela sobressaltou-se levemente ao ver a mulher na sala de estar.
A chegada inesperada também surpreendeu a mulher, que olhou para Antônio:
— Antônio, quem é ela...?
Antônio respondeu secamente:
— Sabrina Silva, minha esposa.
Helena Jordão arregalou os olhos, em estado de choque, e logo voltou sua atenção para Sabrina. Com um escrutínio implacável, varreu-a dos pés à cabeça, como se quisesse desnudar todos os seus segredos.
Sabrina depositou o prato na mesa de jantar e saudou-a com um sorriso:
— Olá, senhora.
— Ela é a minha mãe — declarou Antônio, dirigindo-se a Sabrina.
Ela assentiu, compreendendo. As palavras "Senhora Jordão" estavam quase saindo da sua boca quando ouviu Antônio dizer:
— Portanto, deve chamá-la de mãe.
Ela mordeu a língua, engolindo os termos que já estavam engatilhados. Encarando o olhar julgador de Helena Jordão, soltou um sorriso encabulado e balbuciou baixinho:
— Mãe.
A declaração de Antônio ainda ecoava na cabeça de Helena.
"Sabrina Silva, minha esposa."
Quando ouviu Sabrina chamá-la de mãe, ela enrugou a testa instintivamente e ergueu os olhos para o rosto impassível de Antônio:

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