Sabrina respirou fundo, recuperou as emoções e retornou ao carro. Embora a janela estivesse semiaberta e o vento frio da noite entrasse, ainda era possível sentir um cheiro fraco de cigarro.
Sem saber o que dizer no momento, ela apenas apertou os lábios em silêncio.
O homem virou o rosto para encará-la, examinando-a de cima a baixo, e em sua expressão havia uma ponta de curiosidade, com um sorriso enigmático surgindo nos cantos da boca:
— O humor está péssimo?
Ela olhou para Antônio. Há pouco Gustavo a abraçara e, por não ter reagido rápido o suficiente, ela não se afastou, mas aos olhos de outros a cena devia parecer muito diferente. Ela quis explicar:
— Agora há pouco... Eu...
No rosto frio e tranquilo de Antônio não havia qualquer sinal de aborrecimento, parecendo tudo normal como sempre. Talvez por ter fumado bastante, a sua voz soava um pouco rouca:
— Resolveu tudo de uma vez por todas?
Ela murmurou em resposta:
— Sim, tudo ficou resolvido.
Antônio ligou o carro, e o percurso inteiro correu em completo silêncio. Sabrina recostou a cabeça na janela e se lembrou da reação de Gustavo, percebendo como ele parecia extremamente incomum naquela noite, mas ao mesmo tempo não dava a impressão de estar embriagado.
Ao chegarem à Enseada das Palmeiras, Antônio desceu e tirou a mala dela do porta-malas. Com uma mão ele arrastava a bagagem, com a outra, a envolvia pelo ombro enquanto entravam na sala.
Dona Odete os observou surpresa, os olhos passando da mão no ombro de Sabrina até se fixarem na bagagem:
— Patrão, isso é...
Antônio deu um leve empurrãozinho na mala para a frente:
— Leve a bagagem da patroa para o quarto principal.

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