Depois que os dois subiram, Dona Odete pendurou o paletó no cabideiro da entrada e, pensando bem, achou que devia dar um telefonema para a mansão principal para avisar o patrão e a patroa.
Nas poucas vezes que o jovem patrão havia trazido a Srta. Silva, ela já percebera que ele a tratava de forma diferente. Mas hoje ela se tornou oficialmente a patroa. Tudo aconteceu rápido demais.
Ela foi até perto do sofá, discou para a velha casa, e os bipes de chamada logo ecoaram em seu ouvido.
A voz grave e forte do homem veio de trás:
— Dona Odete.
Dona Odete, assustada, largou o aparelho no gancho e se virou. Vendo-o na escada olhando-a de cima, disse com culpa:
— Patrão.
Antônio estava de camisa preta. A luz do corredor ressaltava seu rosto bonito e imponente. Com uma mão no bolso, descia os degraus com elegância e lentidão, exibindo um ar nobre que lhe era natural e fluido.
Ele a olhou fixamente, com os olhos sombrios:
— Embora você tenha vindo da velha casa, se eu quiser que você vá embora, basta uma palavra minha.
Dona Odete respondeu num fio de voz:
— Patrão, eu só achei que... uma coisa grande dessas, o patrão e a patroa deveriam ser avisados. Não foi por mal.
Antônio lançou um olhar gélido sobre ela:
— Faça apenas o seu trabalho. Encontrarei o momento certo para levá-la à mansão principal.
Dona Odete murmurou em concordância e não falou mais nada.
Antônio foi até a cozinha, e Dona Odete o seguiu:
— Patrão, não jantou? Quer que eu...
— Não precisa. — Antônio a cortou. Pegou um copo e preparou habilidosamente uma caneca de leite, voltando com ela escada acima.

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