Quando Gustavo Guimarães voltou para casa, Sofia Silva havia acabado de dar banho em Íris. Ao sair do banheiro e vê-lo, a pequena estendeu os bracinhos pedindo colo e murmurou enrolado:
— Papai...
Íris tinha o rostinho rechonchudo e olhava para ele com os olhos marejados. Ele apenas apertou levemente os lábios, mas não fez menção de pegá-la.
A criança, contrariada, se contorceu nos braços de Sofia Silva, fazendo um biquinho com os lábios rosados.
Notando o mau humor dele e vendo a expressão ressentida da filha, Sofia Silva consolou-a suavemente:
— Íris, você vai querer só o papai e não vai mais querer a mamãe? Então a mamãe não vai mais contar historinhas para você.
Embora pequena, a menina entendeu perfeitamente. Ela deu um beijo barulhento na bochecha da mãe como forma de agrado, o que fez Sofia Silva rir sem parar.
Sofia Silva carregou Íris para o quarto. Não demorou muito e ouviu-se uma voz feminina gentil, contando pausadamente a história do pequeno girino à procura da mãe.
Quando Íris finalmente adormeceu, Sofia Silva saiu do quarto. Ao passar pelo escritório, viu através da fresta da porta entreaberta Gustavo Guimarães encostado na mesa, fumando, com o rosto elegante carregado de preocupações.
Ela abriu a porta e entrou. Gustavo Guimarães olhou para ela por um momento, e então levou o cigarro preso entre os dedos aos lábios, tragando profundamente. A fumaça esbranquiçada saiu lentamente de sua boca, pairando em volta do seu rosto.
A iluminação da sala era suave, mas projetava sombras melancólicas em seu rosto.
Vendo-o tomado por uma tristeza sombria, Sofia Silva perguntou:
— Você foi vê-la? O que ela disse?
Neste mundo, talvez muitas coisas pudessem afetar o humor dele, mas a única pessoa capaz de deixá-lo tão angustiado e impotente era Sabrina Silva.
Ele fumava em silêncio; um pouco de cinza caiu sobre seus sapatos bem polidos, e as franjas do cabelo caíram sobre sua testa, ocultando a emoção em seus olhos.
O silêncio dele fez com que Sofia Silva, em seu íntimo, tivesse uma vaga intuição do que se tratava. Sua mente encheu-se de pensamentos confusos, e seus lábios moveram-se, mas não sabia o que dizer.
Gustavo Guimarães abaixou a cabeça, permaneceu calado por um momento e, com voz baixa, disse:
— Sofia, não consigo mais esperar.
Metade de seu rosto estava mergulhada na sombra; as feições eram belas e pronunciadas. Sob a testa marcante, encontrava-se um par de olhos de profunda gravidade.

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