Ao longo da varanda da casa de chá, lanternas pendiam a espaços regulares. No final do trajeto, havia um pavilhão octogonal e, logo ao lado, um lago onde carpas nadavam livremente.
Ela adentrou o pavilhão e viu uma mulher sentada a um canto. Vestia uma blusa de tricô de mangas curtas e uma saia de tom neutro que lhe descia até os tornozelos, com os cabelos presos num coque alto.
Os olhos dela brilharam de surpresa:
— Você?
Aquela mulher era a dona da Livraria do Lago, localizada no Resort Ponta do Sol.
Sabrina tinha uma lembrança marcante dela, pois a mulher possuía uma aura de uma dama dos tempos da República, emanando a doçura e a dignidade clássicas das mulheres do sul.
Heloísa Jordão paralisou por um instante e a avaliou rapidamente. De repente, lembrou-se que a jovem à sua frente fora a primeira cliente de sua livraria. Levantando-se com um sorriso gentil, disse:
— Que coincidência. Meu nome é Heloísa Jordão, pode me chamar de Sra. Horácio.
— Eu sou Sabrina Silva. — Ela abriu um sorriso cativante.
As duas se sentaram no banco comprido do pavilhão, e Sabrina perguntou:
— A Sra. Horácio está sozinha?
Os lábios de Heloísa se ergueram suavemente, mantendo aquela eterna curva discreta e uma expressão branda:
— Vim ver um mais velho, mas como ele está recebendo visitas no momento, decidi me sentar um pouco por aqui.
Sabrina se apoiou no parapeito, observando as águas verdes e frescas do lago:
— O resort já inaugurou. O movimento na livraria está bom?
Heloísa sorriu de forma serena, sua voz soando melodiosa:
— Eu nunca me importei com os lucros do negócio. Estou apenas em busca de um lugar tranquilo para descansar.
Sabrina comentou, em tom de brincadeira:
— Ouvindo você falar, me dá a impressão de que está vivendo isolada do mundo.
Heloísa virou a cabeça para fitá-la, seus olhos escuros transbordando uma tranquilidade aquática:
— E não seria bom?
Sabrina impulsionou-se no parapeito para ficar de pé. Caminhando casualmente pelo caramanchão, disse de forma leve:
— Bom até que é, mas também é muito solitário, um vazio só.
Heloísa deu um sorriso e ficou em silêncio. Lançou o olhar ao horizonte, com uma expressão tocada pela melancolia.
Elas jogaram conversa fora por mais um tempo, até que uma funcionária com um vestido elegante se aproximou:
— Sra. Silva, o Sr. Jordão a aguarda no salão principal.
Sabrina sorriu, assentindo, e olhou para Heloísa:

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