Antônio Jordão caminhou em direção à casa de chá, sua voz grave soando clara e serena:
— Ver uma pessoa.
Ver quem?
O mais importante: isso tinha alguma coisa a ver com ela?
Se ele ia encontrar alguém, por que a trouxe junto?
Vendo que ele já havia entrado no estabelecimento, ela se apressou em segui-lo. Uma funcionária dirigiu-se a Antônio com reverência:
— Sr. Jordão, o Sr. Horácio o aguarda no andar de cima.
Antônio apenas acenou levemente com a cabeça. Ao pé da escada, ele tirou os sapatos e calçou as sandálias de madeira oferecidas aos clientes. Sabrina Silva fez o mesmo e o seguiu até o segundo andar.
Na sala privativa do segundo andar, o ambiente de estilo clássico estava imerso em um aroma suave de chá. Atrás de um biombo bordado com patos-mandarins brincando na água, ouviram-se algumas tosses baixas e leves.
Sabrina seguiu Antônio até a área atrás do biombo. Lá, estava sentado um senhor na casa dos sessenta anos, de cabelos grisalhos e pele marcada pelo tempo, mas que aparentava estar com a saúde muito robusta.
Diante do velho havia uma mesa de chá, sobre a qual repousava um conjunto de bules de argila roxa. A água fervia borbulhante, levantando nuvens de vapor.
Ao lado, de pé, estava uma mulher vestindo um traje tradicional, cujo peito exibia o logotipo da casa de chá; era uma funcionária do local.
Antônio deixou de lado sua habitual frieza e o cumprimentou com uma atitude amena:
— Sr. Horácio.
O homem chamado Sr. Horácio sequer levantou a cabeça. Apontando para o relógio antigo pendurado na parede, falou num tom severo:
— Você está dois minutos atrasado.
Sabrina arregalou os olhos. Aquele homem era tão antiquado quanto o avô Silva; fazer questão por apenas dois minutos de atraso era o cúmulo.
Antônio sentou-se à frente dele e comentou de forma plácida:
— O Sr. Horácio realmente tem um senso de pontualidade impecável.
O Sr. Horácio bufou friamente:

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