Ponto de vista de Ella.
As lágrimas escaparam antes que eu pudesse contê-las.
Eu não esperava ficar tão arrasada por causa de um vestido estúpido. Mas era para este ter sido o meu primeiro encontro na vida, mesmo que fosse de mentira.
Que droga, eu tinha vinte e dois anos e nunca tinha vivenciado um encontro normal antes. O fato de finalmente ter criado coragem para planejar algo, apenas para ver tudo arruinado pelo "acidente" do Gabriel — que definitivamente não tinha sido um acidente —, tornava a situação cem vezes pior.
O que foi que eu fiz em uma vida passada para ser privada de ter pelo menos essa única coisa? Essa experiência pequena, boba e normal que a maioria das pessoas já tinha vivido aos dezesseis anos?
Deusa, como eu ansiava por um relacionamento de verdade. Um homem que segurasse a minha mão em um cinema escuro porque queria, e não porque as pessoas estavam olhando. Um homem que quisesse ficar a sós comigo, em vez de insistir em trazer o seu Beta junto como um amortecedor.
Qualquer coisa menos isso. Essa palhaçada de casamento onde o meu próprio marido não conseguia suportar ficar sozinho comigo por duas horas.
O vestido arruinado era apenas a cereja do bolo da minha humilhação.
De repente, a porta do banheiro rangeu ao se abrir. Eu me virei, esperando ver uma mulher qualquer, mas em vez disso encontrei o Alexander parado de forma desajeitada no vão da porta.
— O que você está fazendo aqui? — Funguei, limpando os olhos rapidamente.
— Este é o banheiro feminino.
Ele hesitou, olhando ao redor para garantir que estávamos sozinhos, então deu um passo definitivo para dentro e deixou a porta se fechar atrás de si.
— Eu queria ter certeza de que você estava bem.
Soltei uma risada sem humor e me virei de costas, continuando a dar batidinhas nas manchas gordurosas de manteiga na frente do meu vestido.
— Estou ótima. Só tentando salvar uma única coisa da noite de hoje.
Para a minha surpresa, Alexander se aproximou e tirou as toalhas de papel molhadas das minhas mãos.
— Você está piorando a situação. Deixe comigo. — Disse ele.
Antes que eu pudesse protestar, ele umedeceu uma toalha de papel limpa e começou a dar batidinhas suaves nas manchas do meu vestido. O toque dele era cuidadoso, metódico e estranhamente terno.
Minha respiração travou, e minhas orelhas avermelharam a ponto de quase entregar o meu choque. Desviei o olhar rapidamente.
— Por que você está me ajudando?
— É um vestido caro. Seria uma pena estragá-lo.



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