Ponto de vista de Ella.
Paralisei, chocada demais até para falar.
Lilith era... minha mãe?
Minha mãe. O que significava... minha mãe que estava muito morta e que eu nunca tinha chegado a conhecer de verdade, porque ela tinha falecido quando eu era apenas um bebê.
Por um momento, pareceu tão absurdo e impossível que quase gargalhei. Por pouco não esperei que Alexander, Sophia ou qualquer outra pessoa que pudesse estar por trás da piada saísse de trás de um arbusto e começasse a rir comigo, ou talvez de mim.
Mas então me lembrei dos anos que passei com Lilith. As conversas de fim de noite. Os momentos em que me senti tão conectada à minha amiga que genuinamente a considerei uma mãe para mim. As vezes em que cheguei a dizer a ela, com todas as letras, que a enxergava dessa forma.
Lilith me disse uma vez que sua filha ainda estava por aí, viva e bem, mas que ela não podia contar que vinha cuidando dela há anos.
Na época, pensei que fosse o nervosismo de Lilith falando mais alto; talvez ela se sentisse culpada por abandonar a filha e temesse que a garota a rejeitasse se revelasse quem era.
Mas agora... Agora, tudo fazia sentido com uma clareza avassaladora.
Lilith era minha mãe.
Eu era a filha a quem ela não se revelara... Porque ela literalmente não podia, caso contrário eu sofreria as consequências.
— Mãe...? — Balbuciei finalmente, sufocada. Minha voz saiu pequena, tão pequena, como a de uma criança. Como se, pelo mais breve dos segundos, eu tivesse revertido àquela garotinha assustada que só queria a mãe de volta.
Lilith soltou uma risada que foi metade soluço e me puxou para perto novamente. Dessa vez, não hesitei. Envolvi meus braços ao redor dela e a apertei com força.
— Mãe — chorei —, não consigo acreditar que é você... depois de todos esses anos—
— Shh. — Lilith esfregava círculos confortantes nas minhas costas, exatamente como fizera por anos sempre que eu precisava de consolo. Não era de admirar que funcionasse tão bem todas as vezes. Nada no mundo se compara ao toque de uma mãe.
— Eu sei, querida. Sempre desejei poder te contar, mas não podia.
Funguei e recuei um pouco, enxugando meus olhos úmidos.
— Você sabia quem eu realmente era o tempo todo? — Perguntei. Lilith só me conhecia desde que eu me casaei com Alexander, então, pelo que eu sabia, ela só tinha me visto como adulta.
O rosto de Lilith suavizou e ela assentiu.
— Eu observei você desde que era uma menininha. Você se lembra de quando tinha cinco anos e quase se afogou?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Última Chance da Luna Adoecida